Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Doria aumenta velocidade nas Marginais para carros em 25 de janeiro

Durante a campanha eleitoral, tucano havia prometido que elevaria os limites no dia 2 de janeiro; Prefeitura vai promover mudanças na sinalização e na fiscalização

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

20 Dezembro 2016 | 10h39
Atualizado 21 Dezembro 2016 | 08h39

Correções: 21/12/2016 | 08h39

O prefeito eleito João Doria (PSDB) vai cumprir no dia 25 de janeiro a promessa de elevar a velocidade das Marginais. No aniversário da cidade, os limites para carros voltarão a ser de 90 km/h nas pistas expressas das Marginais do Tietê e do Pinheiros, 70 km/h nas pistas centrais da Tietê e 60 km/h nas pistas locais de ambas as Marginais, com exceção da faixa à direita, que permanecerá com limite máximo de 50 km/h em toda a extensão.

Para veículos pesados, como caminhões e ônibus, nada muda: permanecerão as máximas atuais de 60 km/h nas pistas expressas e centrais e 50 km/h nas locais. A gestão tucana também não vai alterar as regras válidas para as motocicletas, que continuarão vetadas nas pistas expressas da Tietê. Nesse caso, promete-se aumentar a fiscalização com uso do radar-pistola. Serão 14 só para flagrar motociclistas que não cumprem as normas, 24 horas por dia.

Nesta terça-feira, 20, a equipe que comandará o tráfego na capital anunciou o Programa Marginal Segura, que, além da alteração nas velocidades, prevê uma série de mudanças nas áreas de sinalização, socorro e proteção a pedestres. Segundo o futuro secretário de Transportes e Mobilidade, Sérgio Avelleda, o conjunto de intervenções começará a ser implementado no dia 2 de janeiro e inclui a instalação de gradis e lombadas elevadas para travessia de pedestres (chamadas de lombofaixas), de guias rebaixadas para cadeirantes e alta do efetivo de agentes de trânsito.

O programa prevê elevar em 52% o efetivo da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) que atua nas Marginais, alcançando 259 agentes – 89 a mais que o número atual, segundo a equipe tucana. A operação da companhia se dará em três bases operacionais e, de acordo com a futura gestão, não terá custos para a Prefeitura, que receberá doações de empresas para pôr o projeto em prática – os nomes das companhias não foram informados.

Consideradas “medidas mitigadoras” por Avelleda, as lombofaixas, por exemplo, serão instaladas prioritariamente nas vias perpendiculares de acesso às Estações da Linha 9-Esmeralda da CPTM, que corta parte da Marginal do Pinheiros. O plano é atuar em 20 pontos com alta concentração de pedestres na Pinheiros e em outros dez, na Marginal do Tietê.

Já os 65 metros de gradis previstos para serem instalados nas esquinas das vias que sofrerão intervenções vão alongar o trajeto do pedestre. Nestes locais, não será permitida uma travessia linear. O pedestre terá de entrar na via de acesso e caminhar até a lombofaixa para poder atravessar – e só depois retornar ao percurso original. Segundo Avelleda, esse trecho extra não terá mais de dez metros.

“Estamos convictos de que é possível readequar as velocidades porque as pistas das Marginais foram projetadas para esses limites”, afirmou Avelleda. Para o futuro secretário, com as ações anunciadas, “os demais fatores de risco serão todos eliminados ou bastante mitigados a ponto de garantir com bastante segurança a operação das velocidades”.

Nocivo. Análise distinta têm as associações Ciclocidade e Cidadeapé, que defendem os direitos dos ciclistas e dos pedestres. Para ambas, o programa tem como foco “remediar os efeitos nocivos” do aumento das velocidades máximas. “Não faz sentido anunciar a adoção de medidas de traffic calming (tráfego tranquilo) juntamente com aumento de velocidade. Em nenhum lugar do mundo se faz isso”, disse Ana Carolina Nunes, da Cidadeapé.

Em entrevista à Rádio Estadão nesta terça-feira, 20, o consultor de trânsito e transportes Luiz Célio Bottura afirmou que decisão anunciada é típica de uma gestão nova, que não tem a experiência de operar vias com característica de estrada. “Durante muito tempo, eu defendi a alta velocidade porque acreditava na Matemática. Mas, depois vi que a história era um pouco diferente. O que é mais importante: alguns segundos a menos ou a preservação de vidas?”, indaga. 

Segundo Bottura, até a fluidez do trânsito é beneficiada com velocidades mais baixas, já que a distância entre os carros acaba reduzida. “Estamos lutando na contramão.”

De acordo com dados divulgados em outubro pela CET, o número de acidentes com mortes caiu pela metade nas Marginais do Tietê e do Pinheiros, um ano depois da redução das velocidades implementada pela gestão Fernando Haddad (PT). Foi registrado um total de 31 acidentes fatais entre julho de 2015 e junho deste ano, ante 64 casos nos 12 meses anteriores – o que representa uma diminuição de 51,6%. 

Ambulantes. A prefeitura ampliará a fiscalização de ambulantes nas vias, de acordo com o futuro presidente da CET, João Octaviano Neto. Ele afirmou nesta terça-feira, 20, que a Prefeitura vai intensificar a orientação e a fiscalização nas Marginais. A meta será coibir a presença de ambulantes e de pessoas em situação de risco. “Os ambulantes são um fator de alto risco. Mesmo em congestionamentos, essa atividade é um perigo. Dentro do programa, vamos coibir isso”, disse.

Da mesma forma, ele informou que serão abordados moradores de rua, que acabam se protegendo nas áreas verdes das Marginais ou debaixo dos viadutos. “Em parceria com a futura secretária de Desenvolvimento Social, Soninha Francine, vamos trabalhar para retirar essas pessoas com dignidade e respeito.” 

Correções
21/12/2016 | 08h39

O texto foi atualizado para corrigir a informação de que a velocidade para veículos pesados nas Marginais seria reduzida nas vias expressas pelo prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB). O limite será mantido em 60 km/h, como já ocorre desde 2015.

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