Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Doria anuncia vice Bruno Covas como secretário da Casa Civil da Prefeitura de SP

No novo posto, vice fará a interface política da Prefeitura com a Câmara dos Vereadores e com órgãos estaduais e federais; Cláudio Carvalho assume a secretaria de Prefeituras Regionais e Eduardo de Castro a pasta do Verde e Meio Ambiente

Bruno Ribeiro e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 12h09

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira, 1º, mudanças em seu secretariado.

A principal delas é a nomeação do vice, Bruno Covas (PSDB), para a Secretaria da Casa Civil, uma nova estrutura que vai cuidar da interface política da Prefeitura com a Câmara dos Vereadores, com órgãos estaduais e federais.

No evento, prefeitos regionais e lideranças do PSDB paulistano lotaram o auditorio da Prefeitura em um ato de desagravo ao vice-prefeito. Com gritos de ordem como “um, dois, três, é Covas outra vez”, os militantes deram uma demonstração de força de Covas dentro do diretório municipal do partido. 

+++ Doria tira Bruno Covas do comando da zeladoria

Com a mudança, além de tirar Covas das Regionais sem desprestigiá-lo, Doria também tenta melhorar sua relação com os vereadores, desgastada por desentendimentos entre a bancada governista e os secretários Milton Flávio, de Relações Governamentais, e Julio Semeghini, da Secretaria de Governo.

Ao anunicar as mudanças, antecipadas pelo Estado nessa terça-feira, 31, Doria buscou afastar qualquer possibilidade de mal estar entre ele e Covas. “As mudanças são para melhorar ainda mais a gestão”, disse o prefeito, antes de elogiar o vice. 

'Super-secretaria'

Ele afirmou ainda que Covas vai assumir uma "super-secretaria", com responsabilidade enorme e onde poderá usar sua capacidade de articulação política, e reiterou que a relação entre os dois é boa. "Bruno e eu temos uma relação de absoluta igualdade. Covas foi eleito comigo com o mesmo número de votos e a mesma confiança dos eleitores", disse.

Sobre a saída de Covas da secretaria de Prefeituras Regionais, o prefeito disse que houve apenas uma mudança para estruturar melhor a gestão da cidade e que a atuação do vice à frente da pasta não o desagradou.

"Não há nenhum reparo na gestão do Bruno, mas com esta nova estrutura vamos melhorar ainda mais. Já disse que temos que ter os ouvidos muito ligados na população, e a população fez algumas reclamações", minimizou. A secretaria de Prefeituras Regionais é responsável pelo trabalho da zeladoria da cidade, que vem recebendo fortes críticas da opinião pública.

Doria também elogiou Fábio Lepique, que não compareceu ao evento. Lepique era homem de confiança de Covas e responsável pelas ações de zeladoria em São Paulo. Ele foi demitido por Doria quando Bruno Covas estava em viagem ao exterior, na semana passada, gerando nos bastidores o propagado estremecimento na relação entre os dois.

Segundo apuração do Estado, Covas não aceitou o cargo de imediato. A negociação envolveu a “caneta” da secretaria - a nomeação de cargos dentro da Prefeitura, a pedido dos vereadores, poderá ser feita diretamente por Covas. A queixa na Câmara era que Semeghini não cumpria acordos que envolviam a nomeação de cargos.    

Covas também buscou afastar sinais de desentendimento entre ele e o Prefeito e chamou de “fofoqueiros de plantão” aqueles que informavam haver uma richa entre os dois.

Mais mudanças

Além de Covas, foi anunciado também que Cláudio Carvalho, antes secretário de investimento social, e ex-executivo da incorpordadora Cyrela, assumiu a secretaria de Prefeituras Regionais, que era de Covas. Eduardo de Castro assume a secretaria do Verde e Meio Ambiente, cargo que estava vago desde setembro, quando o vereador Gilberto Natalini (PV) deixou o posto.

+++ Doria demite homem de confiança do vice Bruno Covas

Júlio Semeghini continua na Secretaria de Governo, mas a pasta assume um caráter mais de gestão da cidade e de acompanhamento das metas do governo municipal. A pasta agora será encarregada de coordenar projetos intersecretariais, como o programa Redenção, da Cracolândia.

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A pasta de investimentos sociais foi extinta e suas atribuições acumuladas pela pasta das Prefeituras Regionais. Com isso, o número de secretarias se manteve em 25. 

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