Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Doria anuncia nomes da cúpula da Segurança do Estado

Governador eleito manteve no comando da PM o Coronel Álvaro Batista Camilo; para Polícia Civil escolheu Ruy Ferraz Fontes, especialista em combate ao PCC

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2018 | 13h48
Atualizado 30 de novembro de 2018 | 23h05

SÃO PAULO -  Após escolher um general de Exército para chefiar a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou a criação de dois novos cargos na pasta: secretário executivo da Polícia Militar e da Polícia Civil. Na ocasião, Doria divulgou a nova cúpula das Polícias para 2019, mas ainda sem membro da Polícia técnico-científica.

Ex-comandante-geral da PM, ex-vereador e deputado estadual, o coronel Alvaro Batista Camilo (PSD) vai assumir a recém-criada Secretaria Executiva da Polícia Militar. Ele ajudou a elaborar o programa de segurança de Doria e chegou a ser cotado para assumir a SSP.

Já na Polícia Civil, o cargo será ocupado por Youssef Abou Chahin. Foi delegado-geral de 2015 até abril, mas deixou o cargo após o atual governador, Márcio França (PSB), assumir o Palácio dos Bandeirantes.

Para o futuro chefe da SSP, o general João Camilo Pires de Campos, a criação dos novos cargos teria sido uma “solução espetacular”. “Eles serão meus grandes orientadores e consultores. Para os seus órgãos, que já conhecem bastante, serão os grandes facilitadores”, diz.

Segundo o general, os executivos serão seus “substitutos eventuais” e terão a função de estabelecer programas e projetos de segurança. “Posso discutir muita coisa com eles para que, depois, a gente chegue nas ações”, afirma.

Para o coronel Camilo, a nova configuração da SSP não irá “esvaziar” a função dos chefes da PM e da Civil. “O comandante-geral e o delegado-geral respondem diretamente ao secretário. O secretário executivo é um apoio aos dois”, diz. “Há muito tempo nós não temos policiais participando da cabeça da Secretaria. Vamos ter agora.” Durante a campanha, Doria chegou a afirmar que um policial iria a SSP. O escolhido, no entanto, foi um integrante das Forças Armadas.

Cúpula

O diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc), Ruy Ferraz Fontes, também foi anunciado como o delegado-geral da gestão Doria. Um dos primeiros delegados a investigar o Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, ele é considerado especialista na facção criminosa.

Com um déficit calculado em cerca de 31% no quadro da Polícia Civil, com mais de 13 mil vagas não preenchidas, o futuro delegado-geral diz que a recuperação do efetivo é prioridade da gestão. “Temos de retirar todos os policiais que estão em serviço administrativo, através de contratações técnicas para essa finalidade, para colocá-los trabalhando na rua”, afirma.

O futuro delegado-geral, porém, não informou quantos policiais civis estão em setor administrativo atualmente. Segundo ele, também haveria mais de mil policiais em formação. “Será um passo importante para resolver o problema.”

Para cumprir promessa de campanha e criar os “Deics regionais,” a gestão Doria deve unificar unidades como DISEs e DIGs no interior. “Temos a estrutura pronta, vamos modificar para que funcione como Deic”, diz Fontes.

Nomeado em abril por França, o coronel Marcelo Vieira Salles será mantido no Comando-Geral da PM. Sob sua gestão, São Paulo tem conseguido bons resultados em índices de crimes contra o patrimônio, como roubos, por exemplo.

“O roubo é maior desafio, embora é claro que tenhamos de combater todos os delitos”, disse o coronel Camilo. “É o que mais agride a população. Não só quem tem posse, mas principalmente o trabalhador.”

O futuro secretário, general Campos, diz não ter estabelecido um crime prioritário para atacar no início da gestão. “Após um estudo de situação, com várias secretarias envolvidas, teremos nosso entendimento”, afirma. "Peço um tempo para que possamos estudá-las, entendê-las e atacá-las.”

A nova cúpula das Polícias foi apresentada sem nenhum representante da Polícia Técnico-Científica. “A falha é minha. Não tive tempo ainda de conversar com peritos”, disse o general Campos. “Mas será uma área extremamente prestigiada porque são fundamentais para o processo de investigação.”

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