Dor e desespero na fila para reconhecer os corpos no ginásio

Dois minutos. Era o tempo que pais e mães tinham para fazer o reconhecimento de seus filhos, lacrar o caixão e colocá-los na perua do serviço funerário, antes de seguir para o velório coletivo no Centro Desportivo Municipal (CDM) de Santa Maria. Na fila para entrar no local em que estavam os corpos, o cheiro de cadáveres já começava a se tornar insuportável ontem à noite.

O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2013 | 02h03

Com a certeza da cena de horror que veriam, os pais, aos prantos, recebiam uma máscara branca. Em seguida, médicos legistas e funcionários da Defesa Civil Estadual os levavam até o corpo, já colocado no caixão aberto. Outros dois funcionários vinham e cercavam os dois lados do caixão com uma cortina preta. Assim que entravam no local, era possível ouvir um grito alto, seguido pelo choro desesperado. Em menos de 20 segundos, outros dois funcionários vinham com a tampa do caixão e o lacravam.

Alguns pais eram amparados por dezenas de psicólogos voluntários que vieram de cidades vizinhas para ajudar na logística do reconhecimento. "O processo tem de ser rápido, as famílias não podem se alongar por causa do estado avançado de deterioração dos corpos", afirmou Gustavo Hamann de Freitas, de 29 anos.

Mais de 30 parentes de vítimas foram atendidos em um ambulatório montado pelo Exército. "Minha sobrinha, Jessica Cohen, morreu queimada, estamos desesperados, é muita dor", lamentava Nilton Candido, de 48 anos, tio da vítima.

A previsão é de que os enterros começassem hoje, a partir das 9h30, em Santa Maria e em outras cidades próximas. / DIEGO ZANCHETTA, ENVIADO ESPECIAL

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