Donos de pit bulls assassinos se escondem em Ubatuba

Aposentados são ameaçados por vizinhos e saem do bairro onde moravam por medo

Simone Menocchi, do Estadão,

14 de agosto de 2007 | 18h03

A aposentada Cleusa Aparecida Rinaldo Machado e o filho dela, Marcelo Machado, donos dos cães da raça pit bull que mataram a menina Tainá Figueiredo dos Santos, de 4 anos, estão escondidos em um bairro de Ubatuba, no Litoral Norte Paulista. Eles moravam no bairro Mato Dentro mas saíram da casa depois da tragédia. É que os vizinhos, revoltados com a morte da criança, fizeram ameaças aos animais e aos proprietários.   Criança morre atacada por dois pit bulls em Ubatuba Pit bull avança em dois homens em Franca   "Eles estão com medo de serem agredidos. Estão dizendo que vão colocar fogo na casa e nos cachorros", contou uma mulher próxima da aposentada, que pediu para não ser identificada.   Desde o dia do ataque os cães foram retirados da casa e vão ficar dez dias em observação em um local seguro. Segundo a Vigilância Sanitária os cães serão sacrificados somente se apresentarem alguma doença ou mudança de comportamento. Na tarde desta terça-feira, 14, os animais foram analisados e segundo a Vigilância, estavam amedrontados. "A impressão que dá é que os animais sabem que fizeram algo errado, porque estão retraídos", analisou a medica veterinária Cláudia Ferraz.   A aposentada foi ouvida pela Polícia Civil durante quinze minutos. Transtornada com a situação, contou que entrou com a criança no quintal sem imaginar que os cães pudessem atacar e não teve tempo nem forças de socorrer Tainá.   "Vamos aguardar os laudos periciais do local dos fatos para ouvi-la novamente. Ela está muito abalada e não pode relatar quase nada", informou o delegado titular de Ubatuba, Fausto Cardoso. O filho da aposentada, Marcelo, e os vizinhos também serão ouvidos pela polícia. "Precisamos saber se eram bravos, se ficavam soltos, se já tinham ameaçado alguém".   A aposentada deve responder por homicídio culposo (sem intenção de matar) e, se condenada pela Justiça, pegar de 2 a 4 anos de prisão. "Vamos verificar se houve negligência ou imprudência, mas é a Justiça que dará a pena", afirmou o delegado. O inquérito será concluído em 30 dias.

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