Donos de carrões põem na internet flagrantes de irresponsabilidade na rua

Motoristas ultrapassam todos os limites de velocidade nas principais vias da capital paulista e fazem questão de divulgar os vídeos

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

20 Março 2011 | 00h00

Qual é a sensação de estar em uma Ferrari F430 Coupé, andando a 140 km/h no Túnel Max Feiffer? Ou como é pisar fundo num Corvette Z06 na Marginal do Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes, cortando os carros pela direita, pela esquerda, e por onde mais houver um espacinho? Não é preciso muito para descobrir: basta uma rápida pesquisa na internet.

Na web é possível deparar-se com vários vídeos de ricaços se arriscando nas ruas paulistanas. Grande parte foi postada em sites como o YouTube pelos próprios autores das manobras. O público-alvo são os aficionados por carros exclusivos - tanto aqueles que têm veículos do mesmo nível e fazem vídeos parecidos quanto os meros curiosos. Os comentários se dividem: muitos aplaudem, mas também não falta quem critique as ultrapassagens arriscadas, feitas muito acima da velocidade permitida nos locais.

Um dos vídeos traz a Ferrari F430 Coupé vermelha. Ele é gravado do banco do passageiro. Começa andando normalmente pela Avenida Europa, nos Jardins. Ao entrar no Túnel Max Feiffer, sob a Brigadeiro Faria Lima, o motor começa a roncar forte.

Em 20 segundos, o motorista ultrapassa cinco carros pela direita e pela esquerda e atravessa os 760 metros do túnel, em uma velocidade média de 140 km/h. O limite permitido, entretanto, é de 60 km/h. Uma das 170 mil pessoas que já viram o vídeo comentou: "O carro é maravilhoso, mas fazer isso aí na rua cheio de motoristas... E se uma criança ou uma bicicleta entrar na frente?"

Apesar do rosto do motorista não aparecer, é possível visualizar o nome e sobrenome do usuário que postou as imagens e seu endereço de e-mail. Procurado, não atendeu a reportagem.

Radar. O Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) da Polícia Militar já tomou conhecimento desses vídeos e passou a realizar operações em algumas avenidas propícias à alta velocidade, como a recém-inaugurada Jacu-Pêssego. "As vias mais favoráveis para esse exibicionismo têm radares de velocidade. O problema é que são pessoas de alto poder aquisitivo, que usam aparelhos para identificar os radares", diz o capitão do CPTran Paulo Sérgio Oliveira.

O fato de as placas de alguns desses automóveis aparecerem nos vídeos não pode resultar em punições para os motoristas. Isso porque o Código de Trânsito exige que um agente ou equipamento capte o momento da irregularidade. "Mas é possível apurar questões criminais. Tirar racha é crime e a polícia pode usar os vídeos nas investigações", diz o especialista em legislação e presidente da Associação Brasileira de Profissionais do Trânsito, Julyver Modesto de Araújo. / COLABOROU RENATO MACHADO

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