Dono do Bahamas usa nome de ONG para se promover

Maroni cria camiseta pedindo libertação e diz que doará dinheiro à entidade; Casa Sol não receberá a quantia

Mônica Aquino, do estadao.com.br,

04 de setembro de 2007 | 16h37

O polêmico empresário Oscar Maroni, dono da Boate Bahamas e do Oscar's Hotel, na zona sul de São Paulo, está usando, sem autorização, o nome da Casa Sol - uma instituição de caridade especializada em programas de prevenção à Aids e tratamento de crianças soropositivas - para pedir sua libertação.   O empresário, que está preso desde 14 de agosto sob acusação de favorecimento e exploração da prostituição, formação de quadrilha e tráfico de pessoas, lançou, nesta terça-feira, uma campanha em que venderia 5 mil camisetas, cuja estampa seria uima foto sua com a frase "free Oscar" (liberte Oscar, em inglês). Segundo a assessoria de imprensa do empresário, cada camiseta seria vendida por R$ 40 e a verba seria destinada à instituição de caridade.   Caso todas as camisetas fossem vendidas, o valor total arrecadado seria de R$ 200 mil. No entanto, a instituição nega qualquer ligação com Maroni e diz não querer nenhum tipo de relação com o nome dele. O coordenador da instituição, Armando Sérgio, afirma, inclusive, que a instituição pretende negar a doação caso seja procurada pelo empresário. "Em um primeiro contato, eles disseram que vão doar o dinheiro, mas somos uma instituição séria, que passa por dificuldades e não queremos nosso nome ligado a ele. Isso não nos corrompe. Nossas atividades são completamente antagônicas às atividades dele. Eu trabalho com prevenção de Aids, não com estímulo", afirma.   Brincadeira entre amigos   O logo da camiseta foi desenvolvido pelo publicitário Marcelo Maia, de 31 anos. "Começou como uma brincadeira, um amigo achou legal e a coisa foi ficando grande", conta Maia, que explica que foi procurado pela assessoria de Maroni para que o logo pudesse ser usado como estampa para as cinco mil camisetas.   O publicitário conta que fez a camiseta para um grupo de amigos e que não é contra nem a favor da liberdade de Maroni. "Sou contra a hipocrisia, tem tanta gente que precisa ser presa", afirma Maia, reiterando, entretanto, que não se posiciona a favor nem contra o empresário e que tudo não passava de uma brincadeira entre amigos. Segundo ele, os assessores de Maroni não ofereceram nenhum valor para que o logo pudesse ser usado nas estampas.   Maroni   Maroni, preso desde o dia 14 de agosto, diz que vai se lançar candidato à Prefeitura de São Paulo em 2008. Na semana passada, seu advogado afirmou que entrou com pedido de asilo político a sete países. O pedido teria sido feito a Suécia, Dinamarca, Holanda, Alemanha, Canadá, Uruguai e Panamá.   Daniel Majzoub, advogado de Maroni, afirma que os países foram escolhidos por terem "uma democracia mais adulta, onde a questão da prostituição é vista de maneira mais atualizada." O advogado do empresário afirma também que encaminhou uma carta a um senador republicano dos Estados Unidos para explicar o caso de seu cliente e pedir o asilo político.   Por outro lado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), diz que não recebeu informações sobre os pedidos e esclareceu que um brasileiro não pode pedir asilo político dentro do País.

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