Dono do Bahamas se intitula o "Harry Flynt brasileiro"

Empresário já foi processado sete vezes por facilitação à prostituição e preso em três ocasiões

07 de agosto de 2007 | 12h58

O empresário Oscar Maroni Filho, de 48 anos, dono da boate Bahamas, atua no meio em que ele mesmo chama de "prostituição de luxo" há 20 anos. Maroni é o dono do Oscar’s Hotel, prédio que foi interditado pela Prefeitura após o acidente com o Airbus da TAM por ser considerado "um risco" ao tráfego de aviões em Congonhas. Dias depois, sua boate foi fechada por não ter alvará para funcionamento como casa de prostituição. "Eu sou imoral, devasso, depravado, se você preferir, mas pago meus impostos e estou em situação legal", disse ao Estadão. Maroni é uma figura polêmica, que fala abertamente daquilo que outros mantêm em segredo. Define-se como um "empresário do erotismo", antes de emendar que já dormiu com 1.500 mulheres. Foi processado sete vezes por facilitação à prostituição e preso em três ocasiões, mas foi absolvido em todos os casos. O empresário possui os direitos de distribuição de versões brasileiras de revistas eróticas, entre elas a Penthouse e a Hustler, do polêmico Harry Flynt. Em entrevista à revista "Istoé Gente", disse que era o "Larry Flynt brasileiro". Primeiros problemas A controvérsia em torno de Maroni começou cinco dias depois do acidente da TAM. O empresário recebeu a visita do subprefeito da Vila Mariana, Fabio Lepique, para fazer a medição do Oscars Hotel, prédio vizinho ao Bahamas, que começou a ser construído em 1999. Assim como mais da metade dos imóveis na cidade, o projeto original tinha problemas com as leis urbanísticas. A interligação da área do hotel com uma cozinha construída no prédio vizinho de três andares e o Bahamas não estava no projeto original. O empresário procurava a anistia do imóvel apoiado em uma lei aprovada em 2003. O pedido foi apresentado à Secretaria de Habitação, que havia um ano e nove meses não tomava uma decisão a respeito da regularidade do imóvel.  A burocracia municipal só começou a funcionar após a tragédia do vôo 3054. Quatro dias depois de um piloto criticar a altura do prédio na televisão, o prefeito, dois secretários e um subprefeito foram embargar as obras pessoalmente. O prefeito Gilberto Kassab deu cinco dias para que o empresário adotasse as providências legais para demolição do hotel. O despacho acabou com a chance de o prédio ser regularizado na Prefeitura.O prefeito alega que o prédio ultrapassou o limite máximo de aproveitamento do solo permitido na Lei de Zoneamento, além de o IV Comando Regional da Aeronáutica (IV Comar) ter autorizado a construção com base em uma atividade diferente da apresentada à Prefeitura. O IV Comar rejeitou inicialmente a construção de um flat residencial em dezembro de 1999, mas autorizou a obra em maio de 2000, após Maroni apresentar um projeto de tratamento acústico e de iluminação no topo do prédio.  Bahamas Depois da interdição do Oscar´s Hotel, a Prefeitura fechou sua boate porque o empresário admitiu em uma entrevista que o Bahamas é uma "casa de prostituição de luxo". A Prefeitura alegou que o estabelecimento possui Termo de Consulta de Funcionamento (TCF) concedido para a atividade de "serviço de hospedagem - hotel - restaurante e boate". A atividade "casa de prostituição de luxo" não é licenciada pela Prefeitura. "O estabelecimento configura o desvio de finalidade do local, além de crime de lenocínio, segundo o Código Penal Brasileiro", dizia o comunicado da Prefeitura.A boate funcionava do meio-dia às 4h e os homens têm de pagar para entrar e usufruir do "balneário e da boate" - o programa com uma das garotas é pago à parte. Cerca de 200 homens, entre políticos, empresários, artistas e até jogadores de futebol, freqüentavam o local. As garotas trabalham recebendo R$ 300 pelo programa, sendo fiscalizadas para que permaneçam o menor tempo possível com os clientes. A jornada diária é de 8 horas. Na segunda-feira, 6, a Justiça decretou a prisão preventiva do empresário. Maroni é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de formação de quadrilha, tráfico de mulheres, exploração de prostíbulo e favorecimento à prostituição.

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