Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Dono de salas vazias no centro é notificado pela Prefeitura de SP

Proprietário disse que prefere deixar imóveis fechados na Avenida São João a propor ação para retirar inquilino

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2014 | 23h24

No coração do centro velho paulistano, um edifício de 1972 na Avenida São João, de fachada toda pichada e janelões cobertos de poeira, permanece com cinco andares vazios. Dono de quatro salas que estão fechadas, José Olinto, de 78 anos, agropecuarista e dono de empresas de loteamento, afirmou ao Estado que prefere “pagar o condomínio (de R$ 526) a ter de gastar dinheiro com advogado para tirar o inquilino” do local. 

Morador no Morumbi, na zona sul, Olinto gasta pelo menos uma hora de carro para ir trabalhar com os dois filhos em um dos andares do prédio localizado no centro. Ele foi um dos proprietários notificados pela Prefeitura para dar função a imóveis ociosos, que entraram na lista do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) progressivo. Agora, seu imóvel pode ser desapropriado e virar habitação popular. Das seis salas que tem no prédio, ele usa uma como escritório e outra está alugada. Outras três ficam vazias.


“Isso é política. Já tentaram fazer isso (desapropriação) em 2011 e viram que aqui não era uma Zei (zona de interesse social)”, argumenta o empresário, ao lado de seus dois filhos, João Olinto e João de Oliveira. Olinto diz que as salas fechadas têm endereços de empresas da família. 

“Muitos funcionários que trabalhavam nessas salas agora estão no campo trabalhando”, diz o filho João Olinto, que tem fazendas em São Luís do Paraitinga, no interior paulista, e em Carbonita, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. “Eu poderia colocar todas essas empresas em uma sala só e alugar as outras. Mas para nós não compensa. Não somos do ramo da locação. Prefiro pagar o condomínio. Não compensa a dor de cabeça com o inquilino.”

Uma das salas que está fechada e foi notificada pela Prefeitura era alugada pela família Olinto até o fim de 2013 para o restaurante Almanara, que usava o espaço como endereço fiscal e cozinha. Cada andar tem duas salas com 74 metros de frente e 120 metro de fundo. O sétimo e oitavo andares estão ocupados pela Construtora São Luiz.

Segundo funcionários da portaria, “muitas salas do prédio estão vazias há anos”. Uma das salas fechadas e notificadas pela Prefeitura era usada como centro de convenções do Hotel San Raphael, segundo os funcionários. Mas não é o estabelecimento que aluga mais o espaço. O governo municipal informou que qualquer imóvel vazio ou subutilizado está passível de notificação do IPTU progressivo.

Na frente do Mercadão. A reportagem também encontrou dois prédios totalmente vazios que foram notificados pela Prefeitura na região central. Um deles, na Avenida Mercúrio, com três andares e nove apartamentos, bem na frente do Mercado Municipal. Ele está desocupado “há mais de 10 anos”, segundo vizinhos.

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