Donato pode ter sido citado para desviar foco, diz Haddad

Prefeito afirma que é preciso atenção com as informações das escutas, pois há declarações que não se comprovaram

Bruno Ribeiro e Fabio Leite,

06 Novembro 2013 | 00h42

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse nesta terça-feira, 5, em entrevista à rádio CBN, que é preciso ter "muita atenção com tudo o que for dito daqui para frente" com base nas escutas telefônicas da Operação Acerto de Contas. Para ele, a citação do secretário de governo, Antonio Donato, pode ser uma tentativa organizada dos investigados de desviar o foco das investigações.

"Essa quadrilha estava sob pressão intensa das investigações, e é evidente que eles vão querer agora atrapalhar e tirar o foco do Ministério Público daquilo que é relevante. Esse pessoal, no mínimo, juntou R$ 80 milhões em patrimônio, então estamos falando de uma quadrilha profissional", disse o prefeito.

Haddad lembrou que o ex-prefeito da cidade Gilberto Kassab (PSD) também foi citado nas escutas, embora não tenha aparecido, até aqui, prova nenhuma ligando-o diretamente ao esquema, que funcionou durante sua gestão.

"Tem coisas que a gente já sabe que são falsas. Tem uma escuta em que um deles fala que a sala que eles utilizavam era do prefeito Kassab. Nós investigamos e descobrimos que isso não era verdade. Mas existe uma escuta dizendo que é", afirmou.

O prefeito afirmou também que, desde a criação da Controladoria, o órgão já achou irregularidades nas Secretarias de Finanças, de Coordenação das Subprefeituras, do Verde e do Meio Ambiente e do Trabalho.

Donato. A bancada do PSDB na Câmara Municipal, que na segunda-feira havia começado um movimento de coleta de assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso, recuou nesta terça. A oposição optou por esperar os desdobramentos da investigação. São necessárias 19 assinaturas (dentre os 55 vereadores).

O prefeito voltou a sair em defesa do secretário de Governo, Antonio Donato, repetindo afirmação de que ele não teve comportamento suspeito durante os preparativos da operação – que ele sabia desde março e ajudou a viabilizar – a partir do mês de março.

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