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SP registra 2 primeiras mortes em presídio desde o início da crise no País

Segundo depoimento de dois detentos envolvidos no crime, assassinatos em Tupi Paulista não teriam relação com guerra entre facções criminosas

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2017 | 09h05
Atualizado 13 Janeiro 2017 | 09h42

SÃO PAULO - Dois presos foram mortos por asfixia na noite desta quinta-feira, 12, na Penitenciária de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, durante uma briga em uma cela. Os detentos usaram linhas de costurar bola para o crime. Um dos corpos foi mutilado. Foram as primeiras mortes em presídios paulistas desde a atual crise no sistema penitenciário do País, iniciada após massacres em Manaus e Boa Vista.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que o Grupo de Intervenção Rápida (GIR) foi imediatamente acionado e transferiu os detentos responsáveis pelas mortes e os isolaram dos demais presos.

"A polícia foi avisada e deu início à investigação do caso. A SAP, além de colaborar com a polícia, instaurou apuração para propor ao Judiciário a inclusão dos autores em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD)", disse a SAP, em nota.

O Estado teve acesso ao depoimento de dois dos detentos envolvidos no crime. Segundo os relatos, as mortes não teriam ligação com a guerra entre facções criminosos - a dupla declarou que tanto eles quanto as vítimas não fazem parte de nenhuma organização.

Os homicídios seriam uma vingança entre os próprios presos. As duas vítimas foram acusadas pelos autores do crime de serem, nas palavras deles, "caguetas", passando informações para autoridades.

Um dos declarantes afirmou que outros dois presos fizeram um sentenciado, identificado apenas como Daniel, refém e o levaram ao banheiro da cela, onde o mataram por asfixia com uma linha de costurar bola. Em seguida, a mesma dupla assassinou outro detento, Davi de Cassio Horacio.

O depoente afirmou que os responsáveis pelos homicídios o obrigaram a pegar um pedaço de espelho, furar o pescoço de Horacio e assumir a autoria do crime. Ele afirmou ainda que as vítimas tinham um bom relacionamento com os demais sentenciados da cela e do pavilhão.

Já o outro detento relatou uma versão diferente da execução dos crimes. Em depoimento, disse que o primeiro declarante foi o responsável por asfixiar Daniel, enquanto ele e os outros dois teriam segurado a vítima. O segundo declarante afirmou que, com um pedaço de espelho, abriu a barriga do morto, arrancou suas vísceras e o decapitou.

O segundo detento disse ainda que até então tinha um bom convívio com Daniel, mas que ajudou a matá-lo porque era "pilantra e cagueta". Segundo o depoimento, os dois haviam se desentendido quando estavam encarcerados no mesmo raio na Penitenciária I de Presidente Venceslau, mas o declarante "tinha deixado quieto".

Sobre o assassinato de Davi, o segundo declarante afirmou que apenas segurou a perna da vítima no momento da execução e que o primeiro depoente auxiliou outro preso a puxar a linha. Em seguida, um deles furou Davi com um pedaço de espelho.

A Assistência Social da Penitenciária de Tupi Paulista está na manhã desta sexta-feira, 13, tentando contato com os parentes dos detentos assassinados para informá-los sobre o caso e prestar assistência.

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