Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Dois morrem em Mauá; Atibaia volta a encher

Mãe e filho foram soterrados após deslizamento em área de risco; Defesa Civil interditou 29 casas por causa da possibilidade de novo acidente

Bruno Lupion e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2011 | 00h00

O garoto Tauã Trindade da Silva Lima, de 11 anos, e a mãe, Deise Trindade dos Santos, de 34, são as primeiras vítimas das chuvas deste ano no Estado de São Paulo. Eles morreram na noite de terça-feira soterrados por um deslizamento na casa onde moravam, no Morro do Macuco, no Jardim Zaíra, em Mauá, no Grande ABC. A irmã de Tauã, de 13 anos, e o tio Carlos Santos, de 23, tiveram ferimentos leves.

O corpo de Tauã foi retirado dos escombros ainda na noite de terça pelos bombeiros. O de Deise foi encontrado por volta das 6h30 de ontem.

Moradores dizem que a prefeitura de Mauá havia agendado uma visita no morro para o dia 17 do mês passado, depois de a mãe de Deise, Rita Trindade dos Santos, e a vizinha Lucia Saboia Leite terem pedido uma vistoria da encosta em novembro. Mas, segundo eles, a vistoria e as obras nunca foram feitas.

Segundo a assessoria da prefeitura de Mauá, foi feita uma limpeza na região em novembro, não em resposta ao pedido das moradoras, mas como parte de uma operação-padrão. A prefeitura informou ainda que aguarda desde novembro de 2003 autorização da Justiça para "executar obras emergenciais de saneamento básico e remover as famílias em área de risco". A Defesa Civil Municipal interditou 29 casas no entorno por causa do risco de mais deslizamentos e 100 pessoas ficaram desabrigadas.

Atibaia. O nível do Rio Atibaia voltou a subir ontem e aumentaram as inundações e o risco de deslizamentos em 15 cidades na região de Campinas. Em Atibaia já choveu 50% do esperado para janeiro e cerca de 350 famílias moradoras em loteamentos às margens do manancial abandonaram suas casas. Outras 81 se instalaram em abrigos municipais. A cheia já refletiu no aumento da vazão do Rio Piracicaba, que transbordou ontem e alagou a Rua do Porto, em Piracicaba.

O Atibaia saiu mais 20 cm da calha e sua vazão chegou a 60 m³ por segundo, o triplo da média registrada em 2010. A profundidade do rio chegou a 4,4 m, 1,4 m acima do normal. Nos barcos da Defesa Civil e nos abrigos municipais de Atibaia, famílias que perderam tudo em 2010 viviam ontem o mesmo drama.

Muita gente que perdeu a casa no ano passado acabou voltando para áreas de risco às margens do rio. Algumas famílias chegaram a usar o bolsa-aluguel de R$ 300 pago pela prefeitura para alugar moradia na várzea do manancial. E agora estão novamente sem teto. "Com o bolsa-aluguel, fui para uma casinha perto da minha casa antiga. Não sabia que enchia. Era o que dava para alugar com R$ 300", diz Rosimari Rodrigues, de 43 anos, moradora no Jardim Caetetuba. No Parque das Nações, loteamento de classe média alta ao lado da várzea do rio, moradores de 200 sobrados retiraram ontem o que restou de móveis e roupas.

Empurra. Os relatos de prejuízos dos desabrigados são iguais aos de 2010, assim como a troca de farpas entre prefeituras e Estado sobre as responsabilidades nas enchentes. A prefeitura de Atibaia diz que a Sabesp recorreu de determinação judicial que a obrigava a realizar obras de desassoreamento no Rio Atibaia. Em nota, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) informa que as obras de desassoreamento dependem de estudo. O órgão diz que "o problema que Atibaia enfrenta é o da urbanização que tomou as várzeas e os leitos dos rios". / COLABOROU MARIANA LENHARO

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