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Dois morrem após chuvas na zona leste; um está desaparecido

Somente no sábado, choveu 148 milímetros, mais da metade do esperado em todo o mês de janeiro

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2016 | 15h55

SÃO PAULO - Duas pessoas morreram após as fortes chuvas que atingiram a zona leste de São Paulo neste sábado, 9. Quatro mil residências foram afetadas nas regiões de São Miguel Paulista, Guaianases e Itaim Paulista. As mortes foram confirmadas pela Prefeitura nesta segunda-feira. Somente no sábado, choveu 148 milímetros, mais da metade do esperado em todo o mês de janeiro (259mm).

Segundo a Prefeitura, um homem de 46 anos, identificado como Marcelo, tentava ajudar uma senhora quando foi levado por enxurrada no Jardim Lapena, bairro localizado na subprefeitura de São Miguel. Também foi carregado por uma correnteza outro homem, ainda sem idade revelada, no Córrego Itaim, no bairro Itaim Paulista.

Na madrugada de sábado para domingo, o Corpo de Bombeiros foi acionado para socorrer uma vítima por afogamento no Córrego Aricanduva, na zona leste. A corporação informou que as buscas continuam para localizar o desaparecido.

As fortes chuvas tiveram início na zona leste por volta das 16 horas e se estenderam até 20 horas. A Prefeitura de São Paulo confirmou oito desabamentos parciais ou totais de muros e casas em São Miguel Paulista. Houve o extravasamento de pelo menos seis córregos: Aricanduva, Lajeado, Rio Verde, Água Vermelha, Itaquera-Mirim e Itaquera.

De acordo com o engenheiro civil e gerente do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), Hassan Barakat, as chuvas foram causadas por uma área de instabilidade que veio do interior e encontrou a zona leste quente e úmida. “A entrada de brisa marítima segurou toda a chuva na zona leste, que ficou concentrada na região por mais de duas horas”, disse Barakat.

A previsão do CGE é de chuva nos próximos dias na cidade. A temperatura média é de 25ºC e não vai exceder 28ºC. Nesta terça e quarta-feira, deve chover com intensidade moderada e potencial de alagamentos, principalmente no período da tarde.

Pôlder. Para explicar as enxurradas na zona leste, a Prefeitura fez críticas ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão estadual, que não entregou o pôlder da Vila Itaim. Prefeitura e governo estadual firmaram um convênio em 2013, que ainda depende de desapropriações para ter início. 

“Se existisse (o pôlder), não resolveria todo o problema, mas teria resolvido bastante”, disse a vice-prefeita Nádia Campeão. Segundo ela, outra razão para o extravasamento dos córregos e a dificuldade de escoamento é o assoreamento do Rio Tietê.

O subprefeito de São Miguel, Adalberto Dias de Sousa, disse que há três anos a várzea do Rio Tietê entre a barragem da Penha e Itaquaquecetuba não passa por limpeza. 

Procurado, o DAEE informou que a construção do pôlder da Vila Itaim é uma iniciativa conjunta de Estado e Prefeitura. Segundo o DAEE, "cabe ao município reassentar as famílias (para a construção do pôlder). Já ao Estado, cabe licitar e construir o pôlder - o que não pode ser feito enquanto as pessoas ocuparem o local". 

O DAEE afirmou também que "faz o desassoreamento do Tietê regularmente para combater as enchentes na cidade de São Paulo". 

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