Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE

Dois estudantes são agredidos por seguranças do Metrô

Confusão ocorreu na Estação Barra Funda, quando três amigos que fumavam do lado de fora foram abordados

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

16 Março 2013 | 02h06

Dois estudantes foram agredidos ontem na Estação Barra Funda do Metrô, na zona oeste da capital, por seguranças da empresa. Um deles desmaiou depois da surra e, mesmo assim, foi algemado. Os jovens e quatro testemunhas alegaram que as agressões foram gratuitas. O Metrô disse que vai apurar o ocorrido.

Lucas, de 18 anos, Cauê, de 20, e Glauco, de 26, que pediram para não ter o sobrenome divulgado, contaram que fumavam um cigarro do lado de fora da estação, na área aberta reservada a fumantes, quando foram abordados por dois seguranças. Era perto das 10 horas. Os funcionários do Metrô disseram na delegacia que receberam denúncia anônima de que jovens fumavam maconha do lado de fora da estação.

Não era o caso dos três, segundo os estudantes. Com roupa social, se preparavam para pegar o trem no sentido Lapa, onde trabalham no escritório de advocacia do pai de Lucas. Depois de abordados, eles acabaram de fumar o cigarro e se dirigiram para o Metrô.

Cauê afirmou que dois seguranças passaram a segui-los. "Eu já havia esquecido da bronca do lado de fora, mas eles passaram a nos acompanhar dentro do Metrô", disse. "Quando me virei e olhei para um deles, o segurança passou a nos xingar de folgados e ameaçou nos agredir."

Após Lucas passar a catraca do Metrô, ele começou a ser agredido por um deles. "Ele me pegou pelas costas, com uma gravata no pescoço. Depois, recebi um monte de socos e desmaiei", afirmou. Como ele caiu com o rosto virado para o chão, sangrou bastante.

Outros dois seguranças, segundo testemunhas, ajudaram na agressão. Cauê tentou ultrapassar a barreira de seguranças e recebeu pancadas na perna com cassetetes. "Eles ainda seguravam o cassetete e falavam 'passa', 'passa', para quem tentava se aproximar", disse Cauê.

Protestos. O responsável pelo Departamento de Portos, Aeroportos, Proteção ao Turista e Dignatários, Osvaldo Nico Gonçalves, disse que a polícia vai apurar o ocorrido. "Houve uma briga e socos do outro lado também", pondera. "Houve vaidade, um fica bravo com a forma que o outro olhou e a briga começa."

A reação dos frequentadores que viram a cena, no entanto, indicou que houve excessos dos seguranças. Muitos gravaram as agressões em telefones celulares. Depois que os três jovens foram levados para a delegacia do Metrô, cerca de 200 pessoas ficaram do lado de fora protestando contra a detenção. Foi preciso chamar ajuda da Polícia Militar para acalmar os ânimos.

Os seguranças presos não quiseram falar com a imprensa. Já o chefe da segurança do Metrô, Rubens Menezes , afirmou que vai observar as gravações registradas pelas câmeras do Metrô para avaliar o procedimento dos seguranças. "Se ficar provado os excessos, eles serão punidos", disse Menezes.

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