Dois engenheiros brasileiros achados mortos no Peru

Funcionários trabalhavam na construção de hidrelétrica e sumiram em uma mata no norte do país; causa das mortes ainda é um mistério

Aline Reskalla,

28 Julho 2011 | 02h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

BELO HORIZONTE

Após dois dias de buscas, policiais peruanos encontraram ontem os corpos de dois engenheiros brasileiros que haviam desaparecido em uma mata na região de Pion, norte do país. Mário Gramani Guedes, de 57 anos, e Mário Augusto Soares Bittencourt, de 60, eram funcionários da Leme Engenharia, com sede em Belo Horizonte.

Eles foram para o Peru trabalhar na construção de uma hidrelétrica e sumiram quando faziam estudos de sondagem, ao se separarem de um grupo de sete colegas. Cerca de 30 militares participaram da busca, que mobilizou o Exército peruano e contou com a ajuda de um helicóptero.

A embaixada brasileira no país vizinho informou que os corpos foram encontrados sem sinais de violência, na manhã de ontem, na mesma região em que desapareceram, uma área de difícil acesso. Aparentemente, nada foi roubado dos engenheiros, que portavam as carteiras e vários equipamentos, incluindo máquina fotográfica. A causa das mortes ainda é um mistério.

A Radio Programas del Peru (RPP) noticiou o caso ontem e chegou a levantar a hipótese de que os dois brasileiros teriam sido assassinados por camponeses dos povoados de Cococho e Campo Redondo - que seriam contrários à construção de uma hidrelétrica na Província de Utcubamba (Amazonas). Não havia confirmação da polícia local. O correspondente da rádio RPP na região ainda adiantou que o embaixador do Brasil em Lima, Jorge d"Escragnolle Taunay Filho, estaria viajando para Bagua Grande, capital da província, para acompanhar de perto as investigações.

O Itamaraty espera que a autópsia seja feita hoje, o que não está garantido, por causa do tempo de deslocamento até a região onde os corpos foram encontrados. Só depois do exame é que os corpos deverão ser levados à cidade de Chiclayo para, então, serem transportados para a capital, Lima. De lá, seguirão para o Brasil.

Por meio de nota, a Leme Engenharia lamentou as mortes e garantiu que vai providenciar o suporte psicológico e assistencial aos familiares. Um diplomata do Itamaraty e representantes da empresa estão acompanhando a liberação e o traslado dos corpos.

Paulistano. Mário Gramani Guedes trabalhava desde 2000 na Leme, era paulistano e morava havia 24 anos em Uberlândia. Muito abalados, familiares do engenheiro viajaram a Belo Horizonte para acompanhar o caso.

O engenheiro Mário Augusto Soares era natural de Cataguases, na Zona da Mata mineira, mas morava em Belo Horizonte com a mulher e os dois filhos adolescentes. Um parente próximo disse que ele era muito ligado à família, que ontem ainda não tinha informações precisas sobre o que teria ocorrido.

A mulher do engenheiro estava na fazenda da família em Leopoldina, Zona da Mata, em férias, quando recebeu a notícia. Ela foi para a capital mineira para se encontrar com os pais de Mário.

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