Dois dias depois do crime, pelada com Vágner Love

Apesar do roteiro de crueldade que envolve a morte de Eliza Samudio, o goleiro Bruno Fernandes e alguns dos principais suspeitos do crime participaram, no dia 11 de junho, dois dias após o assassinato, de uma "pelada" no sítio do jogador Vágner Love, em Vargem Pequena, no Rio de Janeiro. Era a data de aniversário do atacante do Flamengo.

, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

No fim da noite seguinte, Bruno, J. e Sérgio Rosa Sales Camelo, primos do goleiro, além de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acompanharam o time 100% - equipe mantida por Bruno em Ribeirão das Neves, sua cidade natal - numa viagem de ônibus ao Rio. Para a polícia, a viagem já era parte da premeditação do crime. Macarrão e Sérgio pertencem à diretoria do 100%.

"Eles jogaram, brincaram, beberam cerveja, foi uma festa lá no Vágner Love", contou o advogado de Sérgio, Marco Antônio Siqueira.

Frieza. Policial experiente, o delegado Edson Moreira, admitiu ter ficado impressionado com a "frieza" demonstrada por Bruno após o crime, segundo relatos obtidos no depoimento.

"O Macarrão e o menor ficaram transtornados ao verem Eliza ser levada para o sacrifício. O menor chorava copiosamente, mas Bruno era o mais tranquilo", disse. "Horas depois, eles chegaram ao sítio e queimaram (no condomínio Turmalina, ao lado de uma cisterna) uma mala vermelha com roupas da Eliza. Bruno foi para a área de serviço tomar uma cerveja sossegado."

Moreira disse que não conseguiu conter a emoção durante uma entrevista pela manhã, em meio ao depoimento de Sérgio.

"Estava nervoso, agitado, porque eu estava no meio de um depoimento em que detalhes de tortura monstruosas estavam sendo narrados. Sou um policial acostumado, mas antes de tudo tenho família, tenho filhos, tenho mãe, tenho pai."

Só de manhã. A assessoria de Vágner Love divulgou nota ontem informando que Bruno e seus amigos estiveram apenas na partida disputada pela manhã e não na festa de seu aniversário, à noite.

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