Dois anos depois de reforma, praça está abandonada

Prefeitura gastouR$ 558 mil em área perto do Metrô Marechal Deodoro. Hoje, só há 'noias' e morador de rua

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2010 | 00h00

Pouco mais de dois anos após ser revitalizada pela Prefeitura, a Praça Marechal Deodoro, próxima do metrô homônimo e ao lado do Minhocão, na região central da cidade, está novamente degradada. Os "noias" da cracolândia agora tomam conta do local ao lado de moradores de rua. O parquinho, que deveria servir de área de lazer para crianças, é evitado pela vizinhança.

Concluída no primeiro semestre de 2008, a obra da praça custou R$ 558 mil e foi encabeçada pela Subprefeitura da Sé. Atendendo a uma solicitação dos moradores, a antiga quadra esportiva foi transformada em área verde. Ao lado dela, de acordo com o projeto, deveria ficar o playground, que foi realocado para o outro lado da Avenida Angélica, que divide a praça. À época, o subprefeito Andrea Matarazzo afirmou ao Estado que a mudança "considerou critérios técnicos e de segurança, numa parte menos movimentada, tonando o espaço propício para crianças".

Hoje, a situação é de abandono - os únicos três brinquedos estão quebrados, assim como as grades que rodeavam o parque. A promessa de criar ali a primeira área pública com brinquedos para crianças com necessidades especiais não foi para frente.

Em nota, a Subprefeitura da Sé informou que os brinquedos instalados durante a reforma foram alvo de vários furtos e vandalismo. Após sucessivas ações de reparo, como algumas peças estavam danificadas por essas ações, os brinquedos foram provisoriamente retirados da praça.

Sem opção. "Essa praça está abandonada desde que foi revitalizada", afirma a moradora Regina Teles. "É raro ver criança brincando ali." A corretora Fernanda Vince, que mora e trabalha na vizinhança, diz que fica sem opção na hora de levar a filha de 3 anos para passear. "Essa não é a praça das crianças, é dos "noias". Vive suja e sem policiamento."

Restos de comida, garrafas PET e roupas velhas se amontoam por cima dos bancos de cimento ao redor da praça. De acordo com a subprefeitura, a varrição e lavagem do local é diária.

Albergue. A presença dos moradores de rua não é novidade naquela área. A três quarteirões dali, na Rua General Júlio Marcondes Salgado, funciona o Centro de Convivência Santa Cecília, uma espécie de albergue diário inaugurado em agosto.

Segundo a Secretaria de Assistência Social, há uma dificuldade em centralizar ali a distribuição de sopa feita por ONGs e entidades religiosas, que preferem fazê-lo na rua mesmo. A pasta afirma que os agentes sociais abordam diariamente cerca de dez pessoas na praça oferecendo abrigo, mas todos recusam.

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