Edson Temoteo/Futura Press
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Dobra número de vítimas de chacinas na Região Metropolitana de São Paulo

Levantamento não considera chacina de Osasco e Barueri, a maior da história, com 18 vítimas. Somente nos primeiros seis meses de 2015, foram 10 ataques, que deixaram 38 vítimas; no ano passado, haviam sido 6 dessas ocorrências, com 18 atingidos

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 19h39

O número de vítimas em chacinas que aconteceram na Região Metropolitana de São Paulo mais que dobrou na comparação entre o primeiro semestre deste ano e o mesmo período de 2014. Nos primeiros seis meses de 2015, foram 10 ataques, que deixaram 38 vítimas; no ano passado, haviam sido 6 ocorrências, com 18 atingidos.

Os dados foram fornecidos pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP/SP), por meio da Lei de Acesso à Informação, ao Instituto Sou da Paz. A quantidade de chacinas, caracterizadas quando o crime resulta em ao menos três mortes, não integra o rol de indicadores criminais divulgados mensalmente pela secretaria. 

As razões comumente apresentadas para casos dessa natureza são disputas por pontos de tráfico de drogas ou vinganças após ataques a policiais. No dia 18 de abril, por exemplo, a morte de oito integrantes da torcida organizada Pavilhão 9, do Corinthians, na zona oeste da capital paulista chamou a atenção. O crime ocorreu na véspera de um clássico contra o Palmeiras, mas não tinha relação com rivalidade entre torcidas.

Menos de um mês de investigação permitiu que a Polícia Civil identificasse dois policiais militares e um ex-PM como autores dos disparos; um deles trabalhava no 14.º Batalhão da corporação, localizado em Osasco. A cidade da região metropolitana foi onde ocorreram 15 das 18 mortes da maior chacina da história do Estado, na quinta-feira.

Para o diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques, é necessário atentar para a gravidade dos dados. “Comemorou-se há pouco tempo a queda expressiva na quantidade de homicídios no Estado. Voltar a ter esse tipo de situação, onde 18 pessoas são assassinadas por um grupo organizado, nos remete aos anos 1980 e 1990, quando essas ocorrências eram responsáveis por nos deixar no patamar mais violento da história de São Paulo”, disse.

A presença de grupos de extermínio na cidade foi combatida desde os anos 1990 pela equipe de chacinas dos Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), segundo aponta Marques. O novo crescimento na estatística serve de alerta, acrescenta. “É preciso estar bastante atento a esse tipo de crime, porque um grupo de extermínio não comete só uma chacina. É um crime que tem continuidade ao longo do tempo. Quando se prende um grupo, impede-se que futuros crimes da mesma natureza e da mesma escala voltem a acontecer.”

A quantidade de vítimas em chacinas no primeiro semestre deste ano é a segunda maior dos últimos quatro anos, ficando atrás só dos 45 mortos em 2013. Se levada em consideração as 18 vítimas de Osasco, a letalidade das chacinas de 2015 é a maior do período, com uma média de 4,7 mortes em cada ocorrência.

Prevenção. Defensora pública em Osasco, Maira Coraci Diniz defende que a Secretaria da Segurança Pública deveria agir de forma preventiva após mortes de policiais, para tentar impedir retaliações efetuadas por colegas da vítima. “Quando ocorre a morte de um policial, principalmente na área da região metropolitana, é impressionante: a população já espera que vai acontecer alguma coisa”, disse.

Nesses casos, Maira defende proatividade da secretaria. “Tinha de haver uma atuação preventiva, de acompanhamento. Se sabe que tem possibilidade de ter retaliação, então a polícia já tem de ficar em cima. Falta isso para a Secretaria da Segurança Pública, atuar na prevenção”, acrescentou.

Policiais violentos, de acordo com ela, causam mais violência. “Se há violência sendo gerada por agentes do próprio Estado, estimula-se que a sociedade haja com violência nas circunstâncias do cotidiano. Acaba tendo policiais mais violentos e gerando pessoas que se armam por medo”, afirmou a defensora.

Para ela, o ciclo instaurado assusta por comumente envolver policiais. “Os agentes têm como missão pacificar e acabam agredindo. O necessário a curto prazo seria uma aproximação da PM e da população.”

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