Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Dobra número de usuários de crack na Princesa Isabel

A menos de 600 metros da Cracolândia original, local passou a abrigar cerca de 600 pessoas;lixo se acumula na área

Fabio Leite e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A cada dia que passa, uma nova Cracolândia fica mais forte na Praça Princesa Isabel, no centro da capital paulista. Entre a noite de quarta-feira e a madrugada de ontem, o número de usuários de droga no local dobrou, de acordo com levantamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM). E, agora, também começaram a aparecer as primeiras barracas dentro do novo “fluxo” – em um modelo parecido ao que ocorria no antigo quadrilátero da droga.

Localizada a menos de 600 metros da Cracolândia original, a Praça Princesa Isabel tornou-se o principal ponto de concentração de usuários, logo após a dispersão provocada na megaoperação policial no domingo. Na quarta-feira, uma contagem da GCM apontou cerca de 300 pessoas no local, por volta das 21h30. Às 3h35 de ontem, no entanto, havia 600 usuários na praça, número próximo dos 800 que ficavam aglomerados no quadrilátero antigo.

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Anteontem, o secretário estadual da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, admitiu que a droga continuava chegando à região, embora, segundo ele, em uma escala muito menor do que antes. Para fazer entregas, traficantes usariam motocicletas. Investigação da Polícia Civil aponta, ainda, que o crack continua saindo da Favela do Moinho, a menos de um quilômetro do “fluxo”, e é levado até lá por traficantes a pé.

Barracas. Cada vez mais numerosos, os usuários começaram a montar barracas na praça. Antes da operação, elas eram usadas para promover a “feira livre” da droga na Cracolândia e as “franquias” chegavam a ser comercializadas por cerca de R$ 80 mil pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que administrava os pontos. Por volta das 16h30 de ontem, 15 barracas já estavam erguidas no local. 

Usadas na montagem, armações e lonas são entregues na praça por carroceiros, que descarregam o material às vistas de todos. Enquanto isso, equipes municipais de Saúde e Assistência Social circulam pela área em busca de pessoas dispostas a se tratarem. Há, ainda, duas bases fixas da Polícia Militar.

“Agora que eles subiram as barracas, está igual ao que era na Dino Bueno”, diz a comerciante Thaynara Christian, de 24 anos, que trabalha em um açougue na frente da Princesa Isabel. Segundo ela, a concentração de usuários aumentou a sensação de insegurança e também afugentou a clientela. “Entravam umas cem pessoas por dia aqui. Nesta semana, não passou de 20”, afirma a comerciante. “Está todo mundo com medo de passar pela porta.”

Lixo. Cinco dias após a ocupação da praça, é possível ver muito lixo acumulado no local. Ruas próximas viraram banheiros ao ar livre. “Ninguém aguenta o fedor”, diz a aposentada Marlene Francenildo, de 57 anos, vizinha da praça. “Antes, eles ficavam confinados lá. Agora, a gente fica ilhado, sem poder sair de casa à noite.” Marlene conta que também aumentaram os casos de furto de fios na região. “Eles sobem no poste e cortam”, diz. “Ontem (quinta), eu fiquei sem luz até as 13 horas.”

Segundo os moradores, a concentração de usuários aumenta no período noturno, após as 18 horas. João Hagop Chamlian, proprietário de uma concessionária vizinha, classifica a cena como “dantesca”. “A gente tem mantido os ferros para baixar as portas, porque, às vezes, eles passam correndo”, afirma Chamlian. “O movimento, aqui, caiu 70%.” 

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