Doações para a região serrana já são recusadas

Não há mais espaço para os donativos recebidos; Cruz Vermelha teve de abrir um armazém a cada 4 dias para abrigar mantimentos

Marcelo Fenerich, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2011 | 00h00

A Cruz Vermelha já começou a recusar doações às vítimas das chuvas na região serrana do Rio. O motivo é o excesso de suprimentos recebidos no último mês, o que fez a entidade abrir um armazém a cada quatro dias para acomodar os donativos. Prédios e até igrejas servem de centro de distribuição.

A reportagem acompanhou uma entrega de material doado no início desta semana e ficou cerca de 2h30 parada até que resolvessem para onde mandariam o carregamento de mantimentos.

"Os donativos precisam ser separados por tamanho e utilização. Alimentos devem ficar longe dos remédios, roupas, sapatos, materiais de limpeza e de higiene pessoal. Pouquíssimas pessoas vão até as sedes da entidade para fazer esse serviço", conta Andrea Nogueira, que desde os primeiros dias após a catástrofe trabalha como voluntária em uma igreja de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Técnica em enfermagem, ela faz parte de uma ONG. "Cerca de 20 pessoas aparecem aqui por dia e dão o máximo de si. Uns preparam as refeições dos voluntários, outros cuidam dos mantimentos e há aqueles que vêm para pegar peso ou até prestar condolências", diz Andrea.

De acordo com ela, diariamente caminhões buscam as doações para que sejam entregues às vítimas nas cidades afetadas. "Mandamos o material em sacolas. Roupas e sapatos masculinos vão em kits separados dos femininos. Comida e bebida, além dos materiais de higiene, também têm de ser divididos", explica.

O administrador da filial da Cruz Vermelha do Estado do Rio, Marcos Bastos de Amorim, diz que a cada quatro dias um novo espaço é aberto para o armazenamento das doações. "Quem olha de fora tem a impressão de que estamos estocando os materiais. Mesmo despachando todos os dias caminhões com os suprimentos, é muita coisa. O que facilita os desvios."

Epidemias. Amorim pede que os voluntários continuem contribuindo com o trabalho. "Ainda precisaremos da colaboração de todos. Principalmente das transportadoras", afirma.

"A prioridade agora é evitar epidemias e doenças", diz Amorim. "Como há ainda muitos corpos soterrados, é inevitável, embora não existam dados oficiais sobre isso."

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