Werther Santana/AE
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Doação chega agora a Rio do Sul

Nove helicópteros se revezam para levar mantimentos aos oito bairros da cidade que ainda estão isolados

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL

RIO DO SUL (SC)

Com as estradas parcialmente liberadas, Rio do Sul, a 237 km de Florianópolis, finalmente começou a receber os donativos que chegam de todo o País. Os mais de 200 homens do Corpo de Bombeiros, das Polícias Civil, Militar e Rodoviária e da prefeitura da cidade estavam ansiosos para distribuir as doações nos oito bairros ainda isolados. E o trabalho foi intenso ontem.

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Do gramado que fica no Colégio Dom Bosco, nove helicópteros se revezavam incessantemente nos pousos e decolagens, abarrotados de mantimentos. Um morador de 62 anos, resgatado no bairro Salete, foi trazido para fazer uma sessão de hemodiálise. "Nosso serviço tem sido esse, de ir em qualquer lugar onde somos chamados", explica o soldado Jonas, do Corpo de Bombeiros, vindo da capital para os trabalhos. "O triste é ver as pessoas que lutaram tanto para conseguir uma casinha perdendo tudo de uma vez."

Segundo o prefeito, Milton Hobus, a situação era de pleno emprego e prosperidade. A enchente, a pior desde 1983, interrompe esse ciclo. "Por isso, propus um desafio aos moradores. Quero limpar e reformar tudo que seja possível em no máximo 30 dias, para devolver a autoestima do povo."

É um desafio. "Estamos com 22 abrigos oficiais e pelo menos 8 espontâneos", diz André Wormsbecher, diretor da Defesa Civil do município.

Toque de recolher. O caos cria um ambiente propício aos crimes e em Rio do Sul houve alguns registros de ocorrência de furtos e três prisões em flagrante, uma por tentativa e outras duas por furtos consumados. "Tivemos de instituir uma espécie de toque de recolher, às 21h", afirma o tenente coronel Carlos Roberto Fogaça, comandante da Polícia Militar na cidade. Ainda assim, a insegurança dos moradores de que suas casas e seus comércios seriam saqueados era grande.

No centro da cidade, Hélio Kuehl se arriscava pela água ainda na altura das coxas para dar início à limpeza das duas lojas, uma automotiva e a outra de rolamentos, onde é funcionário. "Espero que nada tenha sido levado. De qualquer forma, o patrão quer mudar para um lugar mais alto."

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