Do que morrem os jovens?

Novos dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na semana passada, mostram quais devem ser os focos de atenção em saúde do jovem na próxima década. Acidentes de trânsito, álcool e drogas, sexualidade e emoções estão entre os grandes desafios a serem enfrentados.

Jairo Bouer,

18 Maio 2014 | 02h04

A expectativa de vida da população mundial aumentou seis anos, em média, no intervalo entre 1990 e 2012. Os principais motivos do acréscimo foram o menor consumo de cigarro e as melhores condições de saúde e nutrição nos países mais pobres, que reduziram a mortalidade infantil.

Na contramão da boa notícia está o fato de que 1,3 milhão de adolescentes - de 10 a 19 anos - morreram em 2012. As causas de morte mais comuns foram acidentes de carro nas ruas e estradas, o aumento dos casos de aids, principalmente no continente africano, e o suicídio.

A depressão aparece nos números da OMS como o fator de risco mais importante para doença e incapacidade dos jovens, além de ela ser a principal causa de suicídio. Os dados confirmam trabalhos divulgados nos últimos anos que destacam o papel central do suicídio na mortalidade dos mais jovens.

Os acidentes foram a primeira causa de morte entre os garotos, com uma taxa três vezes maior do que entre as meninas. Entre as garotas, a primeira causa é o suicídio, seguida pelas complicações decorrentes da gravidez e do parto.

Outro dado preocupante do relatório da OMS é o número crescente de mortes relacionadas ao uso de álcool na população mundial. Foram 3,3 milhões em 2012, ante 2,5 milhões em 2005. Uma em cada 20 mortes no mundo acontece por causa da bebida, mais do que aids, violência e tuberculose juntas.

O abuso do álcool também é mais frequente entre os jovens. Enquanto quase 12% deles têm exageros esporádicos, o número é de 7,5% na população geral, o que reflete uma vulnerabilidade maior dessa faixa da população para esse tipo de comportamento.

Quando se analisa melhor o consumo do álcool entre os jovens nota-se que ele está relacionado a diversos fatores que ameaçam sua saúde. Assim, em boa parte dos casos de violência, acidentes e falha de proteção no sexo, há abuso anterior de bebida.

Como pensar, então, em ações integradas que possam reduzir a exposição dos jovens a esses fatores evitáveis de morte?

Para começar, investir pesado em políticas públicas de educação e prevenção ao uso de álcool e drogas na adolescência e na sua relação com a condução de veículos. Não basta ter uma "lei seca" mais rígida se ela não for devidamente implementada. Além disso, transporte público barato, seguro e amplamente disponível para a população jovem é fundamental.

A saúde mental é outro foco importante de atenção. Quanto mais cedo forem diagnosticados quadros de depressão, psicose e dependência, mais rapidamente os serviços de saúde podem intervir, diminuindo o impacto que essas doenças têm na saúde e nas emoções, reduzindo o risco de suicídio.

Não se pode perder de vista que a adolescência é uma fase crucial para se estabelecer padrões de comportamento que vão ser adotados em toda a vida. Assim, o jovem que começa a fumar ou beber cedo está sob maior risco de ser um adulto com dificuldade em lidar com essas substâncias. Da mesma forma, depressão nessa fase da vida pode se arrastar por décadas e "atrapalhar" as emoções e as relações no futuro.

Hábitos mais saudáveis desde cedo podem ser garantia de uma vida mais longa e feliz. Evitar esses riscos e trabalhar as vulnerabilidades pode reduzir drasticamente as mortes de jovens por causas evitáveis nas próximas décadas.

É PSIQUIATRA

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