Do Líbano para SP: 125 anos dos Jafets

Família vai reunir no sábado 600 pessoas em almoço no Clube Monte Líbano para festejar data

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h08

Quando o imperador d. Pedro II visitou o Líbano, em 1876, ele encorajou um grupo de libaneses a vir tentar a sorte no Brasil. Mais velho de seis irmãos, o professor universitário Nami Jafet ficou encantado com essa possibilidade, após encontrar-se pessoalmente com o brasileiro. Onze anos mais tarde, os Jafets começavam a chegar a São Paulo.

Para comemorar os 125 anos de Brasil, os cerca de 600 descendentes dos primeiros Jafets a aportar no País vão se reunir no próximo sábado para um almoço - fechado para convidados - no Clube Monte Líbano, na zona sul. "Os Jafets todos são bons, têm bom coração. Queremos beneficiar o mundo com o coração, não só com dinheiro", diz a matriarca da família, Violeta Jafet, de 104 anos - que será a grande homenageada da festa.

O primeiro dos irmãos Jafet a chegar ao Brasil foi Benjamin, em 1887. Ele trouxe produtos europeus, a maioria adquiridos em Marselha, na França, e passou por diversas cidades mascateando. No mesmo ano, estabeleceu-se em São Paulo, onde abriu a primeira loja da colônia árabe na Rua 25 de março. No ano seguinte, ganhou a companhia de seu irmão Basilio - pai de Violeta, por sinal.

Mas o império da família seria construído na região do Ipiranga. "Era uma época em que aquela região tinha só mato. Eles compraram uma área enorme, 120 mil metros quadrados", conta o engenheiro civil Benjamin Jafet Neto, de 75 anos. Era 1906 e nascia a Fiação, Tecelagem e Estamparia Ipiranga Jafet.

Dali por diante, a história da família passou a ser parte da história do desenvolvimento paulistano. Eles construíram parques, igrejas, escolas, casas para centenas de funcionários e suntuosos casarões. Como o palacete de Basilio, na Rua Bom Pastor - com vitrais em estilo art nouveau, pisos marchetados e mármores Carrara espalhados por seus 50 cômodos.

Tradição. A família Jafet foi fundamental na fundação do Clube Sírio, Clube Atlético Monte Líbano, do Clube Monte Líbano do Rio, da Liga das Senhoras Ortodoxas, da Igreja Ortodoxa Antioquina do Brasil e da Catedral Metropolitana Ortodoxa, entre outras instituições.

Os Jafets também estiveram por trás das obras de tratamento das águas do Rio Tamanduateí, da construção de quatro pavilhões do Hospital Leão XIII - atual São Camilo - e da construção da Escola Cardeal Motta. Nem a ciência foi esquecida: após sua morte, Basilio Jafet legou parte de seu patrimônio à Universidade de São Paulo (USP).

Sem dúvida, o principal marco da família é o Hospital Sírio-Libanês, reconhecido pela excelência. Em 1921, a libanesa Adma Jafet - mãe de Violeta - reuniu 27 mulheres da comunidade árabe em sua casa, no Ipiranga, para criar um hospital. Nascia a Sociedade Beneficente de Senhoras do Sírio-Libanês. Dois anos depois, foi comprado o terreno. Em 1931, a pedra fundamental foi lançada.

Adma não conseguiu ver a instituição pronta, seu sonho realizado. O Sírio-Libanês foi inaugurado em 1961, sob a presidência de Violeta Jafet - que ocupou o cargo por 50 anos. Hoje, ele é presidente de honra e integra o conselho da instituição.

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