JF Diorio/AE
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Do abandono ao estrelato no calendário

Laurinha e outros vira-latas adotados são tema de exposição no Conjunto Nacional

GIO MENDES, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h03

Se não tivesse sido salva a tempo, a cadela Laurinha não seria uma das estrelas da Expo Celebridade Vira-Lata, mostra de fotos de cachorros que foram abandonados nas ruas e depois adotados. A vira-lata ainda era filhote quando foi encontrada desfalecida, com a pata machucada e já coberta de moscas atrás da roda de um automóvel na Avenida Jacu-Pêssego, em Itaquera, zona leste da capital paulista.

O engenheiro mecânico Fowler Braga Filho, de 58 anos, cuida de Laurinha há 11 meses, desde que ela foi achada quase morta em fevereiro do ano passado por duas donas de um pet shop de Santo André, no ABC paulista. "As meninas pensavam que a Laurinha estava morta ao ver as moscas em cima dela. Elas jogaram água sobre a cachorra, que reagiu aos poucos", diz Braga.

Segundo o engenheiro, Laurinha passou por uma cirurgia no próprio pet shop, mas depois de duas semanas a pata da cadela precisou ser amputada. "As donas do pet shop já imaginavam que eu adotaria a Laurinha, pois sabiam que eu tive outros cachorros deficientes." O engenheiro hoje tem seis cachorros em casa, dois deles com três patas. "Outros dois já morreram", afirma o engenheiro, apaixonado por animais há 51 anos. "Já perdi as contas de quantos bichos eu criei."

O engenheiro ficou orgulhoso com a participação da cadela na exposição fotográfica. "A nossa netinha ficou linda na foto", brinca Braga, que tem duas filhas, mas ainda não é avô.

Idealizadora do Projeto Celebridade Vira-Lata, a publicitária Luli Sarraf, de 35 anos, é a curadora da exposição de fotos de cães que será realizada no Conjunto Nacional. A mostra trará 12 painéis com fotos e as histórias dos cachorros. As imagens foram usadas em calendários que são vendidos para financiar projetos de castração de animais.

RENDA

O projeto está na terceira edição. Nos dois anos anteriores, a renda obtida com a venda dos calendários foi usada em sete mutirões de castrações de cães e gatos no Parque Santo Antônio, na zona sul, e Cidade Tiradentes, na zona leste. De acordo com Luli, foram feitas 1.085 castrações nesses mutirões.

Essa é a primeira vez que as fotos do calendário serão mostradas em uma exposição. "A ideia tanto do calendário quanto da mostra é chamar a atenção para a questão do abandono dos animais", afirma Luli.

Para selecionar as fotos, Luli adotou o critério da diversidade, por tamanho e cores do pelo, por exemplo. Após a seleção, os animais são fotografados por profissionais como o argentino Lionel Falcon. A cada edição, mais pessoas enviam fotos a Luli, para que seus animais também tenham dias de celebridade.

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