DJ e música clássica? É a nova moda nas baladas

Clubes apostam na mistura, que faz sucesso também em casamentos e entre famosos

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

Violino na balada? Um solo de sax para agitar a pista de uma casa noturna? Um tambor para fazer a galera pular em um casamento? É isso mesmo. Ao lado de DJs, instrumentistas são atrações em clubes e festas paulistanas. E essa mistura estranha de eletrônico com clássico, rock e outros gêneros tem dado certo.

Um dos pioneiros desse tipo de som é o percussionista Paulo Campos. "Comecei há 13 anos, sozinho nesse estilo, em boates paulistanas (ele se apresenta regularmente no Asia 70, no Brooklin)", diz. "Essa mescla "bombou", mas, depois, caiu no início desta década. E a retomada só se deu há três anos." Agora, o que era diferente na noite virou algo comum.

"Quando passei a tocar com DJs, me acharam um louco", lembra Campos. "Falavam que tambor não ligava com house, tecno. Só que o som pegou em tudo quanto é lugar e nos apresentamos em casamentos, baladas."

Moda. No ano passado, o percussionista fez 110 shows. Cerca de 80 em casamentos. Além disso, ele montou uma agência para oferecer vários tipos de músicos para tocar ao lado de DJs.

Na esteira desse sucesso apareceram outros que aderiram ao estilo. "DJ sozinho virou carne de vaca", destaca o DJ Marco Hanna, que se apresenta com um violinista, um saxofonista, uma cantora e dançarinas. "Então, vimos que acrescentar um instrumento dá uma pitada a mais e chama a atenção."

Hanna destaca que quando toca com um violinista no clube Pink Elephant, no Itaim-Bibi, zona sul, é bem diferente do que ocorre nas madrugadas em que sobe sozinho ao palco (ele é residente do espaço). "Com apenas minha pick-up lá em cima, o povo dança, fica xavecando, mas sem se importar muito com o espetáculo", destaca. Acompanhado do violinista, ele diz que a plateia presta mais atenção, aplaude.

Essa febre pegou tanto que até já contaminou celebridades. Assim como ser DJ era moda (até o modelo Jesus Luz, aquele da Madonna, virou um), agora a onda é tocar ao lado da pick-up.

Caso de Junior, irmão da Sandy. Sua bateria acompanha o violinista, e seu concunhado, Amon Lima e o DJ Julio Torres. "Em 2008, vi os dois tocando e quis dar uma canja", lembra Junior. Ele se apresentou com o duo em um prêmio. "Depois, fizemos shows, como um no Big Brother."

No sábado, o trio lança a banda que formaram, o DEXTERZ, no clube Anzu, em Itu, interior paulista. "É claro que a fama do Junior ajuda", confessa Lima. "Mas já provamos que oferecemos um bom som."

Diferencial. A publicitária Nicole Khouri Lotaif, de 27 anos, contratou um violinista para tocar com o DJ em seu casamento, neste ano. "Fez muito sucesso por ser mais interativo que só deixar o eletrônico", recorda.

Para o DJ Milton Chuquer, que tocou na festa de Nicole, a mania se espalhou principalmente por casamentos. "Uma noiva quer ser melhor que a outra e, para isso, procura atrações diferenciadas."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.