Distribuição de 'drogas' tem uísque e tabaco

'É preciso mostrar os benefícios e os malefícios de todas as drogas', diz organizador de protesto

MÔNICA REOLOM, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2013 | 02h03

Cerca de 30 pessoas distribuíram "drogas pesadas" na tarde de ontem, no Viaduto do Chá, no centro de São Paulo. A expressão foi usada pelos organizadores da Marcha da Maconha para se referir a garrafas de uísque, cerveja, pacotes de cigarros e salgadinhos, café, erva-mate, chocolate em pó e aspirinas colocados sobre uma lona no chão. "Defendemos o caminho da educação. É preciso mostrar os benefícios e os malefícios de todas as drogas", defendia o ativista Roberto Limoeira, de 28 anos.

Idealizado pelo coletivo Marcha da Maconha SP, o ato era contra o Projeto de Lei 7663/10, do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que propõe o endurecimento da pena para traficantes e usuários de drogas, a internação compulsória e a classificação das drogas conforme a capacidade de causar dependência. Prevista para votação na Câmara dos Deputados ontem, a análise foi descartada pelo líder do governo Arlindo Chinaglia (PT). Ele alegou que a proposta tinha pontos "altamente polêmicos" e não seria discutida nesta semana.

"Queríamos chamar a atenção para o PL, que representa um retrocesso. Por isso fizemos esse ato em um dia de semana, em clima de conversa; uma proposta simbólica", afirmou o jornalista Júlio Delmanto, de 27 anos.

Segundo a Polícia Militar, que ficou distante da movimentação, no máximo 200 pessoas teriam passado pelo local em cerca de uma hora de ato, que começou às 16h20. Esse horário é tradicionalmente celebrado pela cultura de consumidores de maconha, assim como a data 20 de abril (4/20, nos Estados Unidos), considerada o Dia da Erva.

Entre uma maioria jovem, destacava-se uma mulher de 54 anos. A dona de casa Ronete Rizzo afirmou ter aprendido com os filhos a tolerar a maconha. "Eles me mostraram informações."

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