Distração ameaça 56% dos motoristas

Quem dirige ou anda por SP e RJ admite comportamento de risco em pesquisa; 28% dos paulistanos ao volante confessaram falar ao celular

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2011 | 00h00

Metade dos motoristas paulistanos admite que já sofreu com uma situação perigosa ao volante porque estava distraído. É o que mostra uma pesquisa inédita, feita no Rio e em São Paulo, que revela ainda que os moradores das duas capitais adotam práticas de risco - seja como pedestres ou como motoristas.

Mas a percepção dos entrevistados é de que os cariocas têm comportamento pior do que os paulistanos - para eles, os pedestres do Rio atravessam mais fora do sinal e da faixa de pedestres, não olham dos dois lados da rua, falam ao celular ou enviam mensagens enquanto cruzam a pista.

Entre os motoristas, 32% dos moradores do Rio confessaram que dirigem e falam ao celular ao mesmo tempo, ante 28% dos paulistanos. Apesar de o comportamento de risco aparentemente ser maior no Rio, foi em São Paulo que os motoristas disseram que passaram por situação perigosa ao volante por conta de distrações: 56% contra 40%.

A Alternativa Pesquisa de Mercado ouviu 1.020 pessoas, das quais 54% dirigem, entre 15 e 20 de junho. O trabalho foi encomendado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) e será apresentado amanhã no 25.º Congresso ORTRA Internacional, que reunirá 3 mil ortopedistas no Rio.

Dados. Entre os motoristas que enfrentaram alguma situação de risco enquanto dirigiam, 23% estavam falando ao celular ou se distraíram ao tentar atender o aparelho. Esse comportamento é mais comum entre jovens - na faixa etária de 18 a 30 anos, 41% reconhecem que usam o celular e dirigem ao mesmo tempo.

"O sistema cognitivo está focado no dirigir e de repente é obrigado a mudar a atenção e dividi-la com o assunto que está sendo tratado ao telefone. O motorista reduz a velocidade, não presta atenção no trânsito e perde o senso de julgamento de que está em risco", explica o ortopedista Marcos Musafir, um dos organizadores do congresso e consultor em traumatologia da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Ele cita estudo cognitivo da OMS, que simulou distrações de um motorista, e mostrou que o risco de acidente aumenta em até 400%. A pesquisa pode balizar campanhas para reduzir o índice de acidentes. "Como o fabricante de cigarro tem de publicar que aquele produto faz mal para a saúde, a operadora de celular deve colocar algum alerta sobre o uso do aparelho no trânsito", diz Benitz Calvo, diretor da Alternativa Pesquisa de Mercado.

Pedestres. Não são só motoristas que assumem comportamentos de risco. Quem anda pelas ruas também precisa mudar hábitos. As maiores distrações são atravessar fora do sinal, na percepção de 77% dos entrevistados (no Rio, esse índice é de 88%); cruzar a pista fora da faixa, para 74% dos entrevistados, e não olhar para os dois lados da rua, segundo 66%.

Os pedestres entrevistados disseram ainda que, enquanto atravessam a rua, conversam com outras pessoas (47%), correm ou fazem zigue-zague entre os carros (46%) ou falam ao celular (38%). Pela pesquisa, os pedestres têm dificuldade de atravessar no local adequado por falta de sinalização - 64% responderam que não encontram as faixas quando precisam.

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