Disque-denúncia cria serviço para brasileiras no exterior

Ligue 180 Internacional é gratuito, garante o anonimato e deve ter as informações apuradas pela Polícia Federal

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2011 | 03h00

Brasileiras vítimas de violência que vivem em Portugal, Itália e Espanha desde ontem podem recorrer a uma nova central de atendimento, o Ligue 180 Internacional. O atendimento é um desdobramento do serviço que já existe há seis anos para mulheres que moram no Brasil. Como o programa inicial, o Ligue Internacional oferece, em português, orientações para mulheres que estão sob risco. As ligações são gratuitas e o atendimento, 24h.

Coordenado pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, o Ligue 180 procura orientar vítimas de violência com informações sobre como encontrar assistência, a quem recorrer e como denunciar o agressor. Da mesma forma que o serviço brasileiro, garante-se anonimato ao denunciante.

A criação do serviço, que vinha sendo estudada há dois anos, é uma parceria entre os Ministérios das Relações Exteriores, da Justiça e a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. Inicialmente, os Consulados do Porto e de Lisboa, em Portugal, Madri e Barcelona, na Espanha, e Milão e Roma, na Itália, estarão atuando no serviço. No entanto, as ligações serão gratuitas de qualquer ponto desses países. A secretária Especial de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, observa que, fora do Brasil, longe das famílias e muitas vezes enfrentando a barreira de outro idioma, mulheres sentem-se muito mais desamparadas. Um conjunto de fatores dificulta ainda mais a procura por ajuda.

A escolha dos países para a nova central teve por base o grande número de mulheres existentes em algumas comunidades. O secretário executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, observa que mesmo depois da criação de um serviço próprio no Ministério de Relações Exteriores, muitas vítimas ainda receiam procurar consulados. De acordo com secretário, o Brasil tem obrigação de estender proteção para brasileiros que estão no Exterior. A Polícia Federal, com auxílio de instituições internacionais conveniadas, deve investigar os casos relatados pelas vítimas.

Balanço. A secretaria divulgou também um balanço do Ligue 180 do Brasil nos primeiros dez meses deste ano. São Paulo foi o Estado que mais recorreu ao serviço, com 77.189 ligações de mulheres. Em seguida, veio a Bahia, com 53.850 telefonemas, e o Rio, com 44.345 denúncias. Em números proporcionais à população, a maior taxa de denúncias foi no Distrito Federal: 792,6 atendimentos para cada 100 mil mulheres, seguido por Pará (767,3 por 100 mil mulheres) e Bahia (754,4).

Em todo o País, até outubro, foram 530.542 ligações de mulheres que sofrem alguma situação de violência. A maior parte tem entre 20 e 40 anos e convive com o agressor por dez anos ou mais. Ainda de acordo com os dados, 66% dos filhos presenciam a violência e 20% sofrem violência juntamente com a mãe. /COLABOROU LISANDRA PARAGUASSU

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.