Disputa por presidência emperra votações na Câmara

Pela quinta vez em um mês, vereadores que apoiam candidato do 'centrão' boicotaram sessão de ontem

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2010 | 00h00

A guerra pela presidência da Câmara Municipal de São Paulo travou mais uma vez as votações previstas para os últimos dois meses do ano. Ontem, pela quinta vez em 32 dias, vereadores do "centrão" e do PT boicotaram a sessão do Legislativo por causa das articulações do prefeito Gilberto Kassab (DEM) a favor da candidatura do líder de governo, José Police Neto (PSDB), à direção da Casa. O adversário do tucano na eleição do dia 15 de dezembro é o vereador Milton Leite (DEM), que tem o apoio dos 11 petistas e de 16 do "centrão".

Na semana passada, também por causa da disputa pela presidência, a votação do projeto de lei que estabelecia um cronograma para a substituição das sacolas plásticas no comércio paulistano até 2014 foi adiada, a pedido da bancada petista e do "centrão". Nos últimos dois dias, as lideranças não conseguiram acordo para retomar a votação de projetos do Executivo. Estão à espera o aumento de 12% para a Guarda Civil Metropolitana (GCM), a concessão do mobiliário urbano, que permite à iniciativa privada assumir a exploração dos relógios e termômetros de rua, e a autorização para a contratação, por meio de concurso público, de 700 novos professores para a rede municipal.

Projetos próprios. As lideranças não conseguiram acertar nem mesmo a votação marcada para hoje de propostas de vereadores, como o que proíbe o som alto em aparelhos portáteis e em carros parados e o que concede isenções fiscais aos comerciantes que tornarem abertos ao público seus banheiros. Outro projeto assinado por todos os líderes de partido, que concede alvará provisório de 1 ano a cerca de 1 milhão de comerciantes irregulares, segue sem previsão de ser levado a plenário.

Ontem a sessão não durou nem 20 minutos. Adilson Amadeu (PTB), um dos líderes do "centrão", pediu verificação de quórum. Como havia só 11 presentes, e para o início da sessão são necessários ao menos 19, os trabalhos em plenário foram suspensos. "Isso é em homenagem ao prefeito Kassab", ironizou Amadeu. O "centrão", que agrega vereadores do PR, PP, PMDB, PV e PTB, se diz indignado com a "interferência" do prefeito nas eleições do Poder Legislativo.

Bastidores. Kassab e o vereador Marco Aurélio Cunha (DEM) têm trabalhado nos bastidores para reverter a provável vitória do "centrão", apesar de o adversário de Police Neto ser do mesmo partido do prefeito. Kassab conseguiu angariar, por exemplo, o apoio dos dois vereadores do PCdoB, Netinho de Paula e Jamil Murad, à candidatura do líder de governo.

O prefeito tem como objetivo principal enfraquecer o atual presidente do Legislativo, também líder do "centrão" e suplente ao Senado da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR). Kassab avalia que, se Rodrigues colocar um aliado seu no comando da Casa, terá dificuldades de aprovar os projetos da Prefeitura nos seus últimos dois anos de governo.

Reunião. E as articulações do prefeito têm surtido resultado. Um jantar realizado na quinta-feira na casa de Cunha, que também é diretor do São Paulo, reuniu 24 vereadores. Eles receberam como recado do prefeito um pedido de apoio a Police Neto.

A movimentação de Kassab incomodou Rodrigues e seus aliados, que prometem barrar qualquer votação do Executivo até o final do ano, inclusive a proposta orçamentária da Prefeitura para 2012. Hoje o "centrão" promete fazer nova obstrução à sessão extraordinária marcada para as 17h.

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