André Henriques/Diário do Grande ABC
André Henriques/Diário do Grande ABC

Disparos causam pânico em agência

Ação foi rápida, mas houve correria e choro de clientes, que deitaram no chão após os tiros. Todos passaram por revista policial

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2011 | 03h02

A ação em São Bernardo que terminou com a morte do fiscal Sandro Cordon Antônio, de 33 anos, foi rápida. Durou menos de 2 minutos. Mas levou pânico à agência e fez clientes deitarem no chão, sem saber o que fazer.

"Foi uma correria muito grande, com gente chorando e tentando sair do banco, mas as portas estavam fechadas", afirma a vendedora Edna Maria Alves, de 35 anos. "Ficamos 20 minutos no chão." Na sequência, todos foram revistados por policiais.

Segundo Edna, o fiscal parecia tranquilo quando chegou ao andar térreo da agência. Ele perguntou se aquela era a fila, porque pretendia pagar uma conta. Edna, então, recomendou que ele pegasse uma senha. A dele era a de número 29, uma anterior à dela. A vendedora conta que não viu o que aconteceu na sequência nem presenciou a discussão entre o fiscal e o vigilante. Outras pessoas no local contaram que Antônio perguntou a um funcionário sobre o segurança que estava na porta na sexta-feira.

Na sequência, os tiros deixaram clientes e funcionários paralisados. Outro vigilante até correu na direção contrária quando viu o colega disparando contra o fiscal, como se estivesse assustado com o que tinha assistido.

Parentes. Os pais de Antônio, que foram à delegacia ontem, também não conseguiam acreditar no que aconteceu. "Foi uma covardia. Um tiro na barriga e três nas costas", disse a mãe do rapaz, Sandra Alves Silva. O pai, Antonio Cordon Filho, espera que "seja feita justiça".

Antônio não mantinha contato com a família havia dois meses. Ele largou o emprego de fiscal em um supermercado na Rua Conselheiro Nébias, na região central da capital paulista, e terminou um namoro de três anos com a terapeuta Lúcia Pires, de 45 anos, com quem, há um ano, vivia no Jardim Paulistano, em São Bernardo.

Problemas familiares teriam motivado a saída da casa dos pais. Na zona leste da capital, o fiscal já chegou a ser citado, como agressor, em um boletim de ocorrência de 2007. A agressão teria sido contra a mãe, que ontem não quis comentar o caso.

"Jamais acreditei que pudesse acontecer isso", disse Lúcia. Segundo ela, o ex-namorado já foi vigilante no passado e gostava de jiu-jítsu. Atualmente, ele não mantinha contato com os pais.

Funcionário. Já o assassino, o vigilante Jônatas Pereira Lima, trabalha no banco há quatro meses, tem três filhos e vive em São Mateus, na zona leste da capital. "Não estamos autuando em flagrante um bandido, um fora da lei", afirmou o delegado titular Victor Lutti. "É um trabalhador a quem faltou um pouco de respeito ao ser humano. E tem emoção envolvendo tudo isso." Os parentes do vigilante estiveram no 1.º DP, mas não comentaram o caso.

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