Dispara no Rio número de mortes a esclarecer

Índices subiram de 3.191 casos em 2007 para 5.647 em 2009, enquanto taxa de homicídios caiu no Estado; com dados oscilantes, SP também terá de rever estatística

Wilson Tosta / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

O número de mortes por causas externas sem razão determinada - cujo motivo pode ter sido suicídio, assassinato ou acidente - disparou nos últimos anos no Rio. O movimento é inverso à redução no total de homicídios - que virou propaganda da gestão do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) - e fez o Ministério da Saúde pedir ao Estado que reveja suas estatísticas.

Segundo o Datasus, banco de dados do ministério, o Estado teve 1.676 mortes violentas sem causa especificada em 2006 - último ano do governo Rosinha Garotinho. Em 2007, primeiro da gestão de Cabral, elas subiram 90,4% (para 3.191). Em 2008, o indicador passou a 3.261 (alta de 2,19%). Em 2009, esse tipo de registro cresceu 73%, para 5.647 casos. Os dados daquele ano ainda são provisórios - os números oficiais só serão fechados no fim de junho. Mas, se as informações se confirmarem, o número de mortes não explicadas vai superar o total de homicídios (4.198).

Um dado que se destaca no Rio é o crescimento de algumas categorias de mortes sem causa determinada. O economista Daniel Cerqueira, doutor pela Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ) com tese sobre violência no Brasil, verificou aumento atípico em pelo menos dois tipos: as provocadas por armas de fogo e os envenenamentos. Entre 2006 e 2007, o primeiro tipo cresceu 197% (de 148 para 440); o segundo aumentou 82,24% (de 1.425 para 2.597).

Cerqueira também calculou taxas por 100 mil habitantes de mortes indeterminadas nas duas categorias, de 1996 a 2008. No Rio, a taxa de mortos a tiro de um ano para o outro mais que dobrou no triênio com dados disponíveis: de 0,951 em 2006 para 2,796 em 2007 e 2,90 em 2008. Muito acima da média do Brasil (0,437, 0,456 e 0,601).

Nos envenenamentos, a história se repete: o Rio registrou 9,157, 16,501 e 16,078 casos por 100 mil habitantes em 2006, 2007 e 2008. O País teve 2,581, 2,729 e 2,843 casos.

Outros Estados. São Paulo, Minas, Bahia, Rio Grande do Norte e Roraima também preocupam o Ministério da Saúde, que também pediu a revisão de números.

São Paulo apresentou, na contagem por 100 mil habitantes, comportamento oscilante, com taxas de 5,495 em 2006, 5,273 em 2007 e 5,418 em 2008. São consideradas baixas frente ao Rio (que teve 10,751 por 100 mil, 20,167 e 20,532, no mesmo período), mas ainda assim chamam a atenção do Datasus.

Nas categorias de mortes indeterminadas por arma de fogo e envenenamento, no mesmo triênio, também houve sobe e desce no Estado, no mesmo cálculo: 0,351, 0,245 e 0,297 (na primeira categoria) e 3,256, depois 2,791 e 2,848 (nos envenenados).

Minas apresentou evolução semelhante à de São Paulo no mesmo período. Já a Bahia teve, de 2006 a 2008, aumento nas taxas por 100 mil habitantes de mortes por causas externas indeterminadas: 8,143, depois 11,929 e por fim 14,439 e nas mortes indeterminadas por armas de fogo.

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