Diretório municipal do PT em SP defende Donato e alfineta PSDB

Petistas afirmam que acusações contra o secretário de Governo de Haddad tentam 'desviar o foco' das investigações sobre fraude no ISS; tucanos sugerem renúncia do cargo

O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2013 | 19h09

SÃO PAULO - A direção municipal do PT em São Paulo emitiu uma nota nesta quarta-feira, 6, em defesa do vereador e secretário municipal de Governo Antonio Donato, acusado pela servidora Paula Sayuri Nagamati de receber dinheiro do grupo de fiscais que fraudava a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS). A cobrança do imposto de construtoras com um valor abaixo do correto, mediante recebimento de propina, desfalcou os cofres municipais em até R$ 500 milhões.

No comunicado, o diretório afirma que "rejeita de forma taxativa" a informação da funcionária, segundo a qual Donato recebeu em sua campanha recursos desviados pela quadrilha. O partido frisa que os auditores pegos no esquema agiram "livremente" na administração de Gilberto Kassab e afirma que está ocorrendo "vazamento seletivo de informações".

O partido afirma que tais vazamentos são fruto da "tentativa de determinados setores de "politizar" uma investigação estritamente técnica, na medida em que informações supostamente contidas em depoimentos prestados ao Ministério Público alimentam o noticiário com acusações infundadas e sem nenhuma consistência factual", diz a nota.

O diretório municipal petista afirma ainda que o ex-secretário de Finanças Mauro Ricardo, que comandou a pasta na gestão passada, é conhecido como "homem forte de José Serra" e que seus subordinados próximos, como a sua chefe de gabinete, Paula Sayuri, e subsecretários são os principais responsáveis pelo desvio do ISS. A direção petista na cidade de São Paulo termina a nota afirmando que as denúncias implicando o partido são "manobras diversionistas que tentam desviar o foco dos verdadeiros organizadores e beneficiários desse esquema".

PSDB. Em resposta à nota divulgada pelo PT, o presidente do diretório municipal do PSDB em São Paulo, Milton Flávio, afirmou ao Estado que os petistas estão tentando "transferir responsabilidades" ao mencionar o nome do ex-secretário Mauro Ricardo. Ele defendeu a renúncia de Donato da Secretaria de Governo como forma de dar maior credibilidade às investigações. "Nesse momento, eles têm que responder e se explicar. A bola está com o PT", disse.

Ao sugerir que Donato deixe o cargo, Flávio cita com exemplo o engenheiro Pedro Benvenuto. Benvenuto pediu demissão do posto de secretário-executivo do Conselho Gestor do Programa de PPPs do governo de São Paulo após suspeita de que ele estivesse repassando dados do Metrô a uma empresa de consultoria. "Benvenuto abriu mão de sua função para não prejudicar as investigações. Donato deveria fazer o mesmo. É o mínimo que eu esperaria se ele tivesse um mínimo de respeito aos princípios de moralidade e transparência", disse.

Exoneração. Auditora fiscal de carreira, Paula Sayuri Nagamati será exonerada do cargo de supervisora técnica que ocupa na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento. A medida deve ser publicada nesta quinta-feira, no Diário Oficial da Cidade. Mais cedo, o prefeito Fernando Haddad voltou a sair em defesa de Donato e desqualificou as denúncias feitas pela servidora ao Ministério Público, reveladas pelo Estado na coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy. Haddad afirmou que ela faz parte do "núcleo da quadrilha".

Donato, por sua vez, afirmou à coluna Direto da Fonte publicada nesta quarta não ter recebido dinheiro dos servidores nem intercedido em favor deles. Ele atribuiu classificou as acusações como "infundadas" e disse que fazem parte de um "movimento articulado" para atingir Haddad. "Minha postura tem sido a de colaborar, não vamos recuar na investigação", declarou. COLABOROU LUÍSA ROIG MARTINS, ESPECIAL PARA O ESTADO

 

 

 

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