Diretório do PT mantém por voto expulsão de Luiz Moura

Executiva estadual do partido já havia se posicionado sobre desligamento de candidato suspeito de lavar dinheiro para o PCC

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2014 | 12h17

Atualizada às 22h02

SÃO PAULO - O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) manteve nesta sexta-feira, 1º, em decisão unânime, a expulsão do deputado estadual Luiz Moura. Ele é citado em uma investigação do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, como suspeito de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O parlamentar afirmou que vai recorrer. 

A nova suspeita sobre ele foi revelada pelo Estado nesta semana. Na quinta, a executiva estadual do PT já havia dado o parecer. As lideranças estaduais foram cobradas pela cúpula do partido para que acelerassem o processo de expulsão, a fim de reduzir os impactos para a legenda nas eleições.

O caso de Moura deve ser visto como exemplo pelos petistas: o PT quer dar a entender que “não esconde malfeitos” e “corta na própria carne”. 

Segundo o presidente estadual do partido, Emídio de Souza, a partir de agora Moura é considerado “ex-petista”. “É uma decisão unânime. As questões do PT devem ser decididas dentro dele”, afirmou. 

O deputado estadual tenta reverter a situação na Justiça. Souza disse que, apesar de o ex-membro ter o direito de recorrer da decisão tanto na Justiça quanto no diretório nacional do partido, instância acima da estadual, decisões partidárias não devem ser judicializadas. 

“Todo o partido tem o dever de zelar pelos seus filiados, principalmente pelos que têm mandato. Isso demonstra que o PT não quer contemporizar com a situação (de Moura). Isso não tem nada a ver com o período eleitoral”, explicou o presidente estadual. “Agora ele é um parlamentar sem partido.” 

A partir de agora, Luiz Moura também perde sua representatividade partidária na Assembleia Legislativa (Alesp), comprometendo alianças políticas feitas em nome do PT. 

“O que cabe à bancada é cumprir a decisão do partido dentro do parlamento. Ele vai ser desfiliado, não terá mais representação”, explicou o deputado estadual João Paulo Rillo, líder da legenda na assembleia.

Histórico. O processo disciplinar começou no dia 3 de junho, após Moura ser suspenso por 60 dias e ter sua candidatura barrada. O deputado recorreu. 

Ele então garantiu a candidatura na Justiça, e chegou a suspender a convenção do PT, anulando a escolha de Alexandre Padilha para a disputa ao governo do Estado. Depois, a Justiça garantiu a candidatura dos dois. 

O desgaste na imagem de Moura começou no dia 17 de março, após ele ser flagrado pela Polícia Civil em uma reunião com perueiros e suspeitos de integrar o PCC. A polícia investigava se donos de lotações estavam participando de ataques a ônibus. Ninguém foi preso nem acusado por nenhum crime. 

Defesa. O deputado estadual Luiz Moura voltou a afirmar que a decisão do PT em expulsá-lo foi “política e autoritária”. O ex-petista disse que vai recorrer tanto no diretório estadual do partido quanto na Justiça. “Ninguém pode pedir antecedentes criminais em reunião de comunidade”, justificou Moura, ao ser questionado sobre a reunião com supostos integrantes do PCC.

O deputado voltou a afirmar que ele próprio pediu para ser investigado. “Não posso ser acusado de crimes que não cometi. O que o Emídio (de Souza, presidente estadual do PT) fez é injustiça.”

O deputado estadual disse não temer por seu futuro político. “Eu sou militante socialista de esquerda. Vou continuar minha trajetória. Não abaixo a cabeça e não abro mão do mandato.” Eleito com mais de 104 mil votos, o deputado que diz ser “representante da periferia” não acompanhou a votação do diretório. “Eu estava com minha base eleitoral, trabalhando a campanha.” 

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