Diretor executivo é esquartejado e sua mulher, presa

Neto do fundador da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga sumiu no dia 20; partes de seu corpo foram espalhadas pela região de Cotia

BRUNO RIBEIRO, MARCELO GODOY, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h01

A polícia prendeu ontem a bacharel em Direito Elize Matsunaga, acusada pela morte do marido, Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, diretor executivo da Yoki, uma das principais empresas de alimentos do País. Desaparecido desde o dia 20, ele foi esquartejado e teve as partes do corpo espalhadas pela região de Cotia, na Grande São Paulo.

A Justiça decretou ontem a prisão temporária de Elize, válida por cinco dias. Entre as suspeitas contra ela estão imagens de vídeo que mostram Marcos entrando em um edifício - em local ainda não confirmado pela polícia - e ela entrando na sequência. Depois, as gravações mostram Elize saindo do local com sacos nas mãos. E ele não foi mais visto. A motivação do crime, no entanto, não foi confirmada. Policiais também disseram que Elize tinha conhecimentos de Enfermagem.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) passou a tarde de ontem no apartamento onde o casal morava com uma filha, na Lapa, zona oeste, e fez testes com luminol - produto que identifica manchas de sangue invisíveis a olho nu. A prisão foi pedida após esse teste, mas a polícia não divulgou o resultado do exame.

Marcos é neto do fundador da Yoki, Yoshizo Kitano. A empresa esteve envolvida em um conturbado processo de venda que terminou na sua semana passada com sua aquisição, por R$ 1,95 bilhão, pelo grupo americano General Mills, um dos maiores conglomerados de produtos de gêneros alimentícios do mundo - enquanto Marcos ainda estava desaparecido.

Segundo Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e advogado contratado pelos pais de Marcos, o executivo foi visto pela última vez após sair, a pé, do apartamento dele. Ao perceber seu desaparecimento, os parentes registraram queixa na polícia. Em nenhum momento, foi pedido resgate.

O advogado não confirmou a informação de um site ligado a policiais civis de que Marcos andava com seguranças particulares - policiais militares de folga - e havia suspeita de ligação deles com o crime.

Sacos plásticos. As investigações da polícia mostraram que partes do corpo do empresário foram congeladas antes de o assassino se desfazer delas, paulatinamente. "Encontraram em dias diferentes a mão e o braço, depois pernas e, por último, tronco e cabeça", disse D'Urso. Elas estavam em sacos plásticos. A polícia disse que o apartamento do casal tinha mais de um freezer.

O advogado afirma também que os dois casos - o desaparecimento e o encontro de restos mortais - vinham sendo investigados em delegacias diferentes. Segundo D'Urso, ontem, quando a cabeça foi encontrada e a polícia percebeu que a vítima era oriental, a investigação foi centralizada no DHPP. Testes no Instituto Médico-Legal (IML) confirmaram a identidade.

Até o fim da noite de ontem, Elize permanecia com policiais civis no apartamento do casal e seguiria depois para o DHPP.

O advogado D'Urso afirmou que ela tinha um advogado próprio, mas não soube informar quem era. A reportagem não conseguiu contato com ninguém que pudesse apresentar a defesa de Elize. / COLABOROU LÍLIAN CUNHA

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