Diretor da Sabesp diz que vazão do Cantareira será reduzida

Em entrevista à CBN, Barros afirmou que a possibilidade de uso da 2ª cota do volume morto é considerada ‘remota’

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 23h17

SÃO PAULO - Um dia após a divulgação da ação judicial do Ministério Público que pede a "revisão imediata" da retirada de água do Sistema Cantareira para a Grande São Paulo e a proibição da captação integral da segunda cota do volume morto dos reservatórios, o superintendente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Marco Antonio Lopez Barros, disse que a empresa pretende reduzir a vazão praticada no manancial e que o uso da nova reserva profunda é "remota".

Em entrevista à Rádio CBN, Barros afirmou que a Sabesp está finalizando o plano de contingência para o Cantareira, que deveria ter sido entregue na última segunda-feira à Agência Nacional de Águas (ANA), um dos órgãos reguladores do sistema. "Estamos tentando trabalhar um número melhor (menor) do que foi apresentado anteriormente, mas ainda não temos o estudo fechado", afirmou. "Quando maior for a redução, maior a possibilidade de recuperação do Cantareira com as chuvas que se avizinham".

O plano foi uma exigência da ANA para avaliar a liberação da segunda cota do volume morto do Cantareira, de 106 bilhões de litros, solicitado pela Sabesp. A companhia chegou a encaminhar uma proposta no dia 26 de setembro, mas depois pediu para corrigir o plano e não encaminhou a versão final. Em agosto, a agência chegou a divulgar um acordo com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) para reduzir a retirada do Cantareira, mas São Paulo negou haver entendimento. 


Barros disse acreditar que as chuvas voltem ao normal a partir do dia 15 de outubro, conforme previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), e com isso tornará desnecessário o uso da segunda reserva. Nesta terça-feira, 7, restavam nas represas cerca de 54 bilhões de litros da primeira cota do volume morto, que podem se esgotar no mês que vem. "O cenário que estamos construindo, as perspectivas apontam recuperação das chuvas a partir da segunda quinzena de outubro", disse. "O horizonte de recuperação do sistema é muito plausível de se obter", completou.

Segundo ele, "a necessidade de retirada da segunda reserva técnica (volume morto) neste instante ainda é remota". Barros, contudo, disse que a Sabesp não tem um plano B caso a Justiça Federal atenda ao pedido dos Ministérios Públicos Estadual e Federal e proíba a retirada da segunda cota da reserva. Para os promotores, ela comprometerá o abastecimento de água da região de Campinas e provocará o colapso do sistema. "A hipótese de proibição ainda não passa pela nossa condição", afirmou.

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