Diretor da CET admite ‘ajustes’ em traçados

Para secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, porém, decisão de fazer 400 km de ciclovias é ‘irreversível’

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2014 | 17h18

Diretor de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e responsável por implementar o projeto que prevê 400 quilômetros de ciclovias na capital até o fim de 2016, o engenheiro Tadeu Leite afirma que o governo não precisa ter a aprovação prévia de moradores de bairros residenciais. “Não existe nenhuma restrição legal às ciclovias. Quem administra o viário da cidade é a CET”, argumenta Leite.

O engenheiro, porém, não descarta “ajustes” em alguns traçados de bairros residenciais quando questionado sobre os casos do Jardim Paulista e do Alto da Boa Vista. “O problema é que a pessoa quer tirar (a ciclovia) da rua dele e colocar na rua de cima, na rua do lado. Mas não quer na sua. E nossa prioridade é sempre o direito da maioria, e não do usuário do carro”, justifica.

No início do ano, o plano e o traçado das ciclovias foram apresentados à população no Conselho Municipal de Mobilidade Urbana, segundo Leite. “O plano do governo é construir os 400 quilômetros (de ciclovias). Essa é uma decisão que tem o apoio da população”, destaca o chefe da CET.

No trânsito. Na quinta-feira, em encontro em Higienópolis com associações de bairros, lideranças comunitárias e usuários do transporte coletivo, o secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, fez duras críticas aos opositores das ciclovias. “Quem quiser ficar no trânsito, que fique. Tem gente que gosta de ficar parado no carro ouvindo música”, ironizou o secretário.

Tatto disse que a decisão de construir ciclovias é irreversível. Ele anunciou que as obras para a faixa da Avenida Paulista começam no dia 5 de janeiro. Essa nova ciclovia vai cortar o bairro do Pacaembu, outra área estritamente residencial e tombada pelo patrimônio histórico. 

“Infelizmente, tem uma parte da cidade que gosta muito do carro. Só que eu não sei de nenhum caso no mundo onde a frota de veículos aumentou e a qualidade de vida está boa. Se alguém tiver algum caso, que me mostre”, concluiu Tatto.

Minhocão e Pinheiros. O anúncio de uma nova ciclovia sob o Minhocão também revoltou moradores de Higienópolis. Eles já haviam ido ao 77.º Distrito Policial (DP) contra as faixas criadas no bairro em agosto. E agora prometem ir à Justiça e novamente à polícia contra as vias exclusivas sob o Elevado Costa e Silva.

“Isso é puro fetiche do prefeito. Quem está usando essas faixas aqui na região é uma classe média alta e desocupada”, dispara Fábio Fortes, presidente do Conselho de Segurança (Conseg) de Santa Cecília. “Não somos contra as faixas. Somos contra a falta de planejamento.” / D.Z.D

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