Direitos dos animais vão à Avenida Paulista

Avenida recebe 7 mil pessoas em protesto por fim de maus-tratos a bichos de estimação

FELIPE BRANCO CRUZ, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 03h05

Motivadas por recentes denúncias de maus-tratos contra animais, cerca de 7 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, fizeram ontem manifestação na Avenida Paulista. Organizada na internet pelo site Crueldade Nunca Mais, que reuniu diversas ONGs do País, a passeata saiu do vão livre do Masp às 10 horas e foi até a Rua da Consolação.

O protesto ocupou três faixas e complicou o trânsito. Por volta das 12h30, o público já havia dispersado. Manifestações semelhantes foram organizadas em outras cem cidades brasileiras e também em Miami e Nova York.

Segundo Marta Giraldes, da Organização Internacional do Animal, o objetivo foi atingido. "Queríamos chamar a atenção dos legisladores. As pessoas que maltratam animais estão soltas", disse. "Hoje uma pessoa condenada por maus-tratos pode ficar presa no máximo por três anos. Quase sempre, no entanto, elas são condenadas a pagar apenas uma cesta básica", disse Marcela Lorenzoni, de 31 anos, empresária e dona do site Núcleo Pet.

Revolta. Entre os manifestantes, o clima era de revolta. A gerente de vendas Priscila Holose, de 33 anos, tomou conhecimento da manifestação pela internet e foi participar. "Tenho um sentimento de tristeza e impotência quando leio notícias como essas. Chego a ficar depressiva e dormir chorando quando vejo um animal sendo maltratado."

Uma carta dos organizadores divulgada com antecedência no site Crueldade Nunca Mais pedia aos participantes que não levassem cartazes com palavras de ódio. Ao fim da passeata, o público se reuniu no vão livre do Masp, onde cantaram o hino nacional.

Mais protestos. Boa parte do público se dispersou, mas algumas pessoas seguiram para a Vila Mariana, onde mora Dalva Lima, recentemente acusada de matar animais em rituais de magia após pegá-los para adoção. Dalva chegou a ser presa, mas já foi solta. Os manifestantes gritavam "assassina, assassina" e colaram cartazes no portão da casa. A Polícia Militar foi chamada para conter os manifestantes.

Um homem, de dentro da casa, teria apontado uma arma para os manifestantes. Três participantes do protesto, Aline Caires, de 27 anos, Marcia Rosa, de 32, e Tatiane Valença disseram que vão denunciar o crime de ameaça.

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