Direito da USP define projeto para biblioteca

Direito da USP define projeto para biblioteca

Concurso com IAB elege plano arquitetônico para prédio que já foi alvo de polêmica no centro

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2013 | 02h05

A polêmica biblioteca jurídica da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) - instalada em um prédio na Rua Senador Feijó, ao lado do Largo de São Francisco, no centro - acaba de ganhar um projeto arquitetônico. Escolhido após concurso do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), o plano prevê espaço para exposições, auditório e sala multimídia, além de vários andares para o acervo e áreas para leitura.

O concurso foi bancado por doações, a maioria de ex-alunos, que chegaram a R$ 174 mil. Ainda não há previsão de início de obras e custos.

O prédio de 13 andares na Senador Feijó foi o centro de uma polêmica iniciada em 2010, quando parte dos livros da biblioteca da faculdade foi transferida para lá. Na época, estudantes reclamaram que o imóvel era precário, sem estrutura para abrigar o acervo. O caso foi parar na Justiça e deflagrou uma relação turbulenta entre a faculdade e seu ex-diretor, o atual reitor João Grandino Rodas. A transferência dos livros foi um dos últimos atos de Rodas no Largo de São Francisco.

Esse histórico contribuiu para que a escolha de um projeto de requalificação do imóvel fosse realizado por meio de um concurso de arquitetura. "A decisão foi por um processo transparente, então nada melhor que optar pelo concurso", explica o professor Virgílio Afonso da Silva, presidente da Comissão de Bibliotecas da faculdade.

O projeto de sete jovens arquitetos de Porto Alegre foi escolhido entre 96 concorrentes. O júri era composto por cinco renomados arquitetos - entre eles Eduardo de Almeida, responsável pela biblioteca Mindlin, na USP, e Renata Semin, que participou da modernização da biblioteca Mario de Andrade, no centro.

'Folhas'. São previstas transformações internas e externas. A fachada ganhará uma estrutura de chapas de aço, que lembra "folhas de um livro", como explica a arquiteta gaúcha Camila da Rocha Thiesen, de 24 anos. "Nossa proposta foi por uma intervenção bem pé no chão, aproveitando vários fatores do prédio, sugerindo melhorias de espaços e valorização da relação do prédio com a cidade", diz. "A fachada faz com que as pessoas percebam que a cidade teve uma transformação."

Segundo o presidente do departamento paulista do IAB, José Armenio de Brito Cruz, os jurados ressaltaram que o projeto, além de ser factível, valoriza o conforto dos usuários e os espaços de leitura. "A aplicação de vultosos recursos deve ter critérios. E o que dá critérios é o bom projeto de arquitetura."

Para executar a obra, a comissão de bibliotecas da unidade vai abrir um diálogo para ver os recursos disponíveis da universidade. A captação de recursos privados não é descartada.

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