Paulo Liebert/AE-3/12/2010
Paulo Liebert/AE-3/12/2010

Dique causa briga entre SP e Guarulhos

Guarulhenses reclamam que obra antienchente de Prefeitura e Estado no Jardim Romano poderá fazer rio subir do outro lado e alagar sua cidade

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2010 | 00h00

A prefeitura de Guarulhos acusa a de São Paulo de construir um dique para conter enchentes no Jardim Romano, na zona leste da capital, sem levar em conta os efeitos na outra margem do rio, os bairros do Jardim Guaraci e Vila Izildinha, na cidade de Guarulhos. A prefeitura alega que sequer foi consultada.

O Jardim Romano ficou mais de dois meses inundado pelo Rio Tietê entre o fim de 2009 e o início de 2010. Parte da população foi removida e o dique de 1,4 km construído no local foi apresentado como parte da solução.

Segundo o secretário do Meio Ambiente de Guarulhos, Alexandre Kise, obras desse porte nos limites de municípios não podem ser feitas sem discussão conjunta. Ele participou de uma reunião ontem com o promotor Ricardo Manuel Castro e representantes da Prefeitura de São Paulo e do Departamento de Águas e Energia Elétrica(Daee) do governo do Estado.

Kise conta que recebeu um estudo técnico do Daee mostrando que o impacto na margem de Guarulhos será de 6 cm. Isso pode agravar ainda mais a situação, caso se repita um verão chuvoso como o último. "E só o fato de se saber que haverá impacto justificaria a consulta a Guarulhos."

A Prefeitura de São Paulo e o Daee não responderam ontem aos pedidos de entrevista. O Ministério Público não vai se manifestar e novas reuniões deverão ocorrer. Kise propõe que o Estado acelere a construção do Parque Várzeas do Tietê.

O engenheiro civil Aluísio Canholi, diretor da Hydrostudio Engenharia, empresa contratada pelo Daee para fazer o projeto do dique, afirma que os moradores de Guarulhos podem ficar despreocupados porque os efeitos serão mínimos. Segundo Canholi, a capacidade do dique é de 60 mil m³. Essa água que ficava contida no Jardim Romano vai ser distribuída pela várzea do Tietê, que ainda tem capacidade para 20 milhões de m³. "Os efeitos serão insignificantes", diz.

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