Diplomata é investigado em golpe contra Igreja

Vice-cônsul português em Porto Alegre não teria repassado contrapartida de R$ 2,5 mi a ONG belga por restauração

, O Estado de S.Paulo

30 Março 2011 | 00h00

PORTO ALEGRE

A Polícia Civil gaúcha investiga um suposto golpe em que a Arquidiocese de Porto Alegre teria caído por intermédio do vice-cônsul de Portugal na cidade, Adelino D"Assunção Nobre de Melo Vera Cruz Pinto.

O caso envolve um depósito de R$ 2,5 milhões na conta do diplomata, que seria o mediador de um investimento de R$ 12 milhões a ser feito por uma ONG belga pelo Projeto de Restauração do Patrimônio de Origem Portuguesa. O recurso iria para a restauração das Igrejas Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, e Bom Senhor, em Triunfo, na região metropolitana.

Em dezembro do ano passado, três párocos de Porto Alegre se encontraram, em Portugal, com representantes da ONG. Eles teriam solicitado uma contrapartida para garantir o repasse: um depósito de R$ 2,528 milhões - dinheiro que voltaria à Arquidiocese.

Contatado pela reportagem, o vice-cônsul admitiu que o dinheiro foi depositado em sua conta, mas que repassou o valor à ONG. Disse ainda que a organização já deu parte da verba para a reforma.

No início de 2010, procurado por representantes da Arquidiocese, o diplomata confirmou que auxiliaria na obtenção da verba. Segundo o responsável pela Comunicação Social da Arquidiocese, padre César Leandro Padilha, o prazo para receber a doação, dia 31 de janeiro, expirou e o diplomata teria sacado o dinheiro para "adiantar passos do processo".

O delegado Paulo César Jardim afirmou que não pode ouvir o vice-cônsul por ele ser salvaguardado por imunidade diplomática. O Ministério das Relações Exteriores será comunicado para interceder com o governo português. O diplomata, no entanto, garante que o dinheiro será devolvido até o dia 11. / LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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