Dilma quer que assunto fique longe do Palácio do Planalto

A presidente Dilma Rousseff não quer que o pedido de asilo político da médica cubana Ramona Matos Rodríguez, de 51 anos, caia em seu colo, no Palácio do Planalto. O governo considera este como um caso "isolado" e espera que não aconteçam novas deserções.

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2014 | 02h08

O assunto, de acordo com informações obtidas no Planalto, tem de ser resolvido pelos Ministérios da Justiça, das Relações Exteriores e da Saúde.

A disposição do governo brasileiro, porém, é de conceder o asilo político solicitado pela médica, se ela seguir todos os trâmites exigidos pela lei brasileira. A deserção de Ramona é considerada um tema explosivo para um ano eleitoral e o governo foge de polêmicas.

O Planalto teme repetir a repercussão negativa da deportação dos dois boxeadores cubanos, que desertaram de sua delegação durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio. Na época, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, e hoje governador do Rio Grande do Sul, devolveu rapidamente os atletas a Cuba, em avião venezuelano.

Há o temor, no entanto, de que esta atitude da médica cubana possa ser seguida por outros médicos. Isso seria o pior dos mundo para o governo, por se tratar de um programa carro-chefe de Dilma e do candidato ao governo de São Paulo, ex-ministro Alexandre Padilha.

No início do processo de vinda dos médicos cubanos para o Brasil, a informação do governo brasileiro é de que não daria asilo político a quem desertasse. No entanto, em ano eleitoral, este é um tema delicado e obrigou a presidente Dilma a dar orientação diferente para o caso, em relação ao que houve com os boxeadores, em 2007.

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