Dilma quer mais fiscalização em boates

Em encontro com prefeitos em Brasília, presidente pede que as prefeituras intensifiquem o controle em casas noturnas para evitar tragédias

JOÃO DOMINGOS , DÉBORA ÁLVARES , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2013 | 02h05

A presidente Dilma Rousseff pediu aos prefeitos reunidos ontem em Brasília que intensifiquem a fiscalização nas casas noturnas de suas cidades, para evitar a repetição de tragédias como a de sábado em Santa Maria. Dilma, que visitou a cidade gaúcha no domingo, disse que a dor que sentiu e viu nas pessoas "é indescritível".

Logo depois de cumprimentar os participantes, a presidente falou sobre as mortes dos jovens em Santa Maria. Pediu um minuto de silêncio em respeito a todas as vítimas. E disse aos prefeitos que tocava naquele assunto para lembrá-los do compromisso que os dirigentes, em todas as esferas, têm com a segurança da população. Por isso, afirmou ela, é preciso "planejar, acompanhar, fiscalizar".

"Eles eram jovens. Eles tinham sonhos. Poderiam ser no futuro prefeitos ou prefeitas. Poderiam ser futuros cientistas, agrônomos. Mas eles, infelizmente, não tiveram a oportunidade de realizar seus sonhos", afirmou Dilma para uma plateia de prefeitos em silêncio, no Centro de Convenções de Brasília. "Ontem fui a Santa Maria e a dor que presenciei foi indescritível", disse a presidente.

"Diante dessa tragédia, temos o dever de assumir o compromisso de evitar que coisa semelhante jamais venha a se repetir", afirmou a presidente.

Logo em seguida, ela lembrou que é papel dos governantes fazer a fiscalização e cuidar para que a população possa ficar protegida.

Antes do encontro, Dilma chamou ao Palácio do Planalto o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), para pedir total atenção da capital gaúcha com a cidade de Santa Maria, além da sugestão de que seja intensificada a fiscalização nas casas noturnas de Porto Alegre.

"Ela manifestou toda a dor que sentiu ontem ao avistar os pais das vítimas, especialmente as mães. Disse que ficou muito chocada porque se colocou no lugar de cada uma daquelas mães, segundo palavras dela própria", destacou o prefeito Fortunati.

"Ela tem a grande preocupação de que tratemos os sobreviventes da melhor forma possível, mas pediu apoio também aos familiares", afirmou o prefeito de Porto Alegre.

Atendimento. A cidade já recebeu 44 vítimas do incêndio na boate Kiss. Outros sete sobreviventes que se encontram em estado grave foram transferidos ontem à tarde. Ainda há 82 pessoas internadas em Santa Maria.

Segundo o prefeito, todos aqueles levados para Porto Alegre recebem atendimento nos dois hospitais especializados em queimaduras da cidade: o Grupo Hospitalar Conceição e o Hospital Pronto-Socorro (HPS). A cidade tem hoje capacidade para receber 150 pessoas.

A capital do Rio Grande do Sul também montou uma casa de convivência para atender os parentes dos jovens internados na cidade, com serviços psicológico e assistência social.

"É para ajudar as pessoas a enfrentarem o momento de maneira menos sofrida", explicou Fortunati.

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