Dilma defende 'tolerância zero' para violência contra mulheres

Presidente participou do lançamento de programa e anunciou que até 2014 casas de acolhimento ficarão prontas

TÂNIA MONTEIRO , RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Março 2013 | 04h26

A presidente Dilma Roussef defendeu "tolerância zero" para a violência contra mulheres durante discurso na cerimônia de lançamento do programa Mulher: Viver Sem Violência, ontem, no Palácio do Planalto.

Dilma explicou que tolerância zero significa combater e erradicar todas as formas de violência, seja doméstica, estupro, assassinato ou exploração sexual. "Este tipo de crime envergonha a humanidade", afirmou. A presidente também salientou que não se pode tolerar outras formas de violência com "conteúdos mais disfarçados, porém igualmente dolorosos e inadmissíveis, como a discriminação no trabalho, no salário, a educação discriminatória, a falta de oportunidades e, sobretudo, a baixa estima decorrente da violência". Para Dilma, o combate à violência "tem de estar casado com medidas fortes de coerção, de repressão, de cumprimento da lei, e com reforço da autonomia das mulheres".

No discurso de ontem no Planalto, Dilma anunciou a criação, até 2014, das 27 primeiras Casas da Mulher Brasileira nas 27 capitais do País para receber mulheres vítimas e ameaçadas pela violência. A presidente pediu união entre Estado e sociedade para enfrentar o problema.

Em sua fala, ela salientou que R$ 250 milhões serão destinados ao atendimento especial às mulheres e lembrou que, em seu discurso de posse, prometeu honrar as mulheres, defendendo oportunidades iguais e uma política antidiscriminação.

A Casa da Mulher Brasileira terá serviços públicos integrados, nas áreas de segurança, justiça, saúde, assistência social, acolhimento, orientação para o trabalho, emprego e renda. Dilma ressaltou que o programa deve ter um "forte componente cultural, mudando valores e reforçando a autonomia da mulher". "É uma casa de abrigo e de apoio, mas é uma casa de luta."

Além do lançamento do programa, a presidente assinou ontem um decreto que aumenta a integração entre os Ministérios da Saúde e da Justiça, com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres, para "humanizar o atendimento às vítimas de violência sexual".

O governo, prometeu Dilma, vai aprimorar procedimentos de coleta de material das vítimas que sirvam de provas periciais em crimes de estupro. Segundo ela, os Institutos Médico-Legais e a rede hospitalar de referência terão espaços "adequados" para atendimento, com investimento de R$ 13,1 milhões.

Na sexta-feira, Dilma também abordou o tema em pronunciamento oficial em cadeia de rádio e TV para o Dia da Mulher. Ela advertiu os homens que "insistem em agredir suas mulheres que não se esquecessem jamais que a maior autoridade do País é uma mulher que não tem medo de enfrentar os injustos".

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