Dilma defende cotas no Dia da Consciência Negra

Em mensagem pelo Twitter, presidente disse que igualdade racial só será conquistada com políticas afirmativas para negros e negras

Bruno Paes Manso, Clarissa Thomé e Ayr Aliski, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2013 | 02h06

A presidente Dilma Rousseff defendeu nessa quarta-feira, 20, no Dia da Consciência Negra, as cotas nas universidades e no serviço público. Pelo Twitter, a presidente postou mensagem sobre a data em homenagem à memória de Zumbi dos Palmares. "Hoje é dia de o Brasil olhar para si, rever o seu passado e discutir o seu futuro", disse Dilma, abrindo os comentários sobre o tema.

Ela criticou formas de exclusões racial e social. "O passado de escravidão retorna, sempre, como racismo, como tentativa de manter a hierarquia e os valores de uma sociedade superada." Dilma analisou que "é por isso que a exclusão racial e social virou uma coisa só".

Segundo a presidente, "a efetiva igualdade racial apenas será conquistada com políticas afirmativas de promoção de oportunidades para negros e negras". Em seguida, ela disse que foi por isso que promulgou a Lei de Cotas nas universidades. "Por isso também assinei mensagem ao Congresso encaminhando projeto de lei que reserva 20% das vagas do serviço público federal para negros", afirmou a presidente.

Nessa quarta-feira, sob sol de 33°C, cerca de 1.500 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, participaram em São Paulo da Marcha da Consciência Negra, em homenagem à memória de Zumbi e Dandara, líderes do Quilombo dos Palmares.

A passeata partiu às 15 horas da Avenida Paulista e seguiu até o Teatro Municipal, no centro, onde foi encerrada perto das 17h. Participaram do evento sindicatos e movimentos sociais, além dos coletivos que saíram às ruas nas jornadas de junho.

Foi a 10.ª marcha na cidade, que neste ano teve como tema "A juventude negra quer viver", em relação às mortes de negros e pardos nas periferias. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de informações sobre mortalidade do Censo 2012, apresentado na terça-feira, mostrou que a taxa de mortes violentas entre os negros é de 36 mortes por 100 mil. Entre os não negros, a taxa cai para 15,2.

Antes de a passeata partir, houve uma série de discursos de lideranças do movimento negro paulista e de políticos, como o secretário de Promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula. Dois carros de som puxaram a passeata. Sobre um deles, havia uma banda com violão, baixo e bateria que tocava músicas de hip-hop. Nos cartazes, os manifestantes protestavam contra o "genocídio dos negros na periferia".

No começo do protesto, cerca de 150 policiais acompanharam os manifestantes em duas filas indianas, o que irritou os líderes da passeata. Do carro de som, eles disseram que não seguiriam a marcha enquanto a PM não deixasse a rua livre. "Já não bastam as operações saturação e as reintegrações de posse feitas rotineiramente nas periferias", discursou um dos manifestantes. "Precisamos ser policiados também no manifesto do Dia da Consciência Negra."

Depois de negociação entre manifestantes e os oficiais, os PMs ficaram para trás e a marcha seguiu pacificamente.

Também participaram do evento integrantes da bateria da Vai-Vai, baianas de escolas de samba e passistas.

Rio. O Dia da Consciência Negra foi comemorado no Rio com danças na frente da estátua de Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas, no centro. As atividades começaram com uma vigília, às 6 horas. Depois, formaram-se rodas de samba e de capoeira. Também houve apresentação de dança afro, jongo e maculelê.

Para marcar a data, a prefeitura inaugurou uma placa no Cais do Valongo, importante sítio arqueológico da diáspora africana. Era nesse local que se fazia o comércio dos negros recém-chegados da África, no início do século 19. A prefeitura está em campanha para que o sítio seja considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.

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