Dilma cobra mais dados sobre apagão no Nordeste

Explicação de ministério sobre falta de luz que prejudicou 46 milhões de pessoas foi considerada ''insatisfatória'' por ela

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff considerou "insatisfatória" a explicação apresentada anteontem pelo Ministério de Minas e Energia para o apagão de cinco horas que na sexta-feira deixou 46 milhões de pessoas sem luz no Nordeste.

Segundo o secretário executivo do ministério, Marcio Zimmermann, o problema foi causado pelo cartão eletrônico de proteção da Subestação Luiz Gonzaga, na divisa da Bahia com Pernambuco. Dilma "não se convenceu" da justificativa e exigiu mais explicações de todos os dirigentes do setor elétrico, sem precisar um prazo para ser apresentadas.

Ontem de manhã, a presidente telefonou para o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para avisar que queria mais dados sobre o ocorrido. Fez o mesmo com outros dirigentes do setor elétrico.

Para Dilma, que foi titular de Minas e Energia no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o problema não pode ser reduzido à falha em um cartão. "Ela não engoliu bem isso e quer detalhes", disse um interlocutor direto da presidente. "Se foi problema no cartão, que problema exatamente ocorreu?", comentou este interlocutor, ao relatar os questionamentos feitos por ela.

Na avaliação da presidente, as explicações para a população precisam ser mais claras e rápidas. Ela, que conhece o setor e acompanhou outros problemas no passado, acha que as justificativas não têm sido apresentadas a contento, considerando que a impressão passada à população é que o governo não sabe bem o que houve no Nordeste.

"Operação intempestiva". O senador Delcídio Amaral (PT-MS) subiu à tribuna do Senado ontem, pela liderança do governo, para apresentar esclarecimentos técnicos sobre o apagão no Nordeste. Segundo ele, houve um "fato circunstancial, uma operação intempestiva do sistema de proteção". "Não há problema de capacidade, de geração, nem de consumo de energia."

Delcídio explicou que houve um aumento acima do normal da tensão de energia transportada pelas linhas de transmissão a partir da Subestação Luiz Gonzaga. O episódio acionou intempestivamente o sistema de proteção, o que provocou um efeito cascata de desligamento preventivo de subestações de energia. Ele ressaltou que a Luiz Gonzaga é estratégica por ser ponto de interligação de outras usinas do sistema Chesf, que é interligada com o Sistema Sudeste e a Eletronorte, o que isolou o Nordeste.

Para Delcídio, houve uma interpretação equivocada desse acidente. "Não temos nenhum risco de racionamento." / COLABOROU ANDREA JUBÉ VIANNA

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