Dilma chora, deixa o Chile e vai ao RS

Presidente disse que momento 'é de grande tristeza'; ela foi a hospital que recebeu feridos e esteve no ginásio onde estavam os corpos

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL, SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2013 | 02h03

A presidente Dilma Rousseff esteve em Santa Maria ontem à tarde e visitou o Hospital de Caridade, um dos locais que receberam feridos no incêndio. Quando soube da tragédia, Dilma cancelou a agenda que cumpriria em Santiago e voltou ao Brasil.

Dilma chegou a Santa Maria e, de acordo com informações do hospital, permaneceu no local durante 15 minutos, reunida com o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Os três discutiram a possibilidade de remover os feridos mais graves. A presidente visitou um dos feridos e foi ao Centro Desportivo Municipal (CDM), onde é feito o reconhecimento dos corpos. Depois voltou a Brasília.

Em Santiago, pouco antes de embarcar para o Brasil, às 11h15, horário de Brasília, Dilma se emocionou ao fazer um rápido pronunciamento, lamentando as mortes em Santa Maria.

"Estamos juntos e, necessariamente, vamos superar, apesar de manter a tristeza", disse a presidente, que chorou. "É um momento de grande tristeza", afirmou. "É uma tragédia para nós todos e eu não vou continuar na reunião (em Santiago) por razões muito claras. Quem precisa de mim hoje é o povo brasileiro e é lá que eu tenho de estar."

A presidente cancelou três reuniões bilaterais que teria ontem com os presidentes da Bolívia, Argentina e Letônia na capital chilena - onde participava da reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a União Europeia - e pediu aos ministros que ajudem "a minorar as consequências desta tragédia e se desloquem para a cidade a fim de oferecer apoio à população".

A presidente afirmou ainda que o Rio Grande do Sul, Estado onde construiu sua carreira como administradora pública, tem uma boa estrutura de saúde, mas que deslocará para lá tudo que for necessário para ajudar as vítimas da tragédia.

Além de conversar com Tarso e Padilha, Dilma falou ainda de manhã com o prefeito de Santa Maria, Cezar Augusto Schirmer (PMDB), e com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. Ela determinou a Saito que mobilizasse a base aérea de Santa Maria para facilitar a transferência de feridos, a chegada de medicamentos, entre outros materiais, e equipes de socorro.

Ela pediu ainda à ministra-chefe da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que é gaúcha e estava no Estado, que seguisse imediatamente para Santa Maria a fim de acompanhar a situação de perto.

"Há uma mobilização de recursos para que a gente possa fazer não só o resgate dos corpos e também um tratamento muito rápido e muito eficiente para os feridos", declarou a presidente, ao explicar as providências adotadas pelo governo federal. "Nós deslocaremos tudo o que for necessário", completou.

Luto. A prefeitura de Santa Maria decretou luto oficial de 30 dias na cidade.

A Universidade Federal de Santa Maria também ficará de luto e suspendeu as atividades no câmpus por três dias. As aulas serão retomadas quarta-feira.

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