Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Dilma anuncia R$ 8,1 bilhões do PAC para São Paulo

Em cerimônia na Prefeitura, presidente destina R$ 3 bilhões para corredores de ônibus, R$ 2,2 bilhões para recuperar mananciais, R$ 1,5 bilhão para moradias e R$ 1,4 bilhão para drenagem; 'dia histórico', diz Haddad

Tiago Dantas, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2013 | 12h37

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou, no fim da manhã desta quarta-feira, 31, em cerimônia na Prefeitura de São Paulo, um pacote de investimentos de R$ 8,1 bilhões em obras de mobilidade, drenagem e recuperação dos mananciais na cidade de São Paulo. O investimento deverá viabilizar a construção de cerca de 99 quilômetros de corredores de ônibus - construir 160 quilômetros de vias exclusivas para o transporte coletivo foi uma das principais promessas do prefeito Fernando Haddad (PT) durante a campanha eleitoral.

Foram liberados R$ 3 bilhões para corredores de ônibus em avenidas das zonas leste e sul, R$ 2,2 bilhões para recuperação dos mananciais das represas Billings e Guarapiranga, na zona sul, R$ 1,5 bilhão para construção de moradias para 20 mil famílias que vivem perto das represas, e R$ 1,4 bilhão para a drenagem de córregos em vários bairros da capital.

Dilma afirmou que esses são "os primeiros R$ 8 bilhões" que São Paulo recebe. "Estamos investindo mais R$ 50 bilhões em todo o Brasil. E é justo que primeira cidade a receber os primeiros 8 (bilhões) - e estou fazendo uma promessa aqui - seja São Paulo. Porque aqui está concentrado o maior desafio do Brasil." Anteriormente, o governo havia investido R$ 89 bilhões no Brasil por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Desses, R$ 29 bilhões haviam ficado na capital paulista.

Corredores de ônibus nas zonas leste e sul da cidade vão receber R$ 3 bilhões. "Ao investir no transporte público você devolve o tempo às pessoas. E é no tempo que você vive. Tirar as pessoas do transporte e colocá-las no lazer, em suas casas, na faculdade é devolver vida para as pessoas. O governo está empenhado em investir em Metrô e corredor de ônibus", afirmou a presidente. Dilma lembrou que o governo federal também está investindo dinheiro em ao menos quatro linhas de Metrô: 5-Lilás, 15-Prata, 17-Ouro e 18-Bronze.

"Garantir transporte público é um dos eixos de garantir o combate à desigualdade social", afirmou. A presidente terminou seu discurso dizendo que, segundo Haddad, a ordem de início para algumas das obras que tiveram financiamento liberado nesta quarta será dada nos próximos dias.

Além do transporte, a área de drenagem receberá investimentos de R$ 1,4 bilhão. O dinheiro será empregado em obras de oito córregos: Morro do S, Paciência, Ribeirão Perus, Tremembé, Riacho do Ipiranga, Uberaba, Paraguai e Éguas. Segundo o ministro das Cidades, Agnaldo Ribeiro, o financiamento também deverá ser empregado para elaborar o projeto de drenagem do córrego do Anhangabaú, na região central.

Na recuperação dos mananciais das represas Billings e Guarapiranga, que abastecem com água potável boa parte da Região Metropolitana, o governo federal vai aplicar R$ 2,2 bilhões. Mais R$ 1,5 bilhão será utilizado para construir moradias, por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida, para 20 mil famílias que vivem em comunidades nas margens das represas. "Esse cuidado é essencial. Viabilizar moradia digna é elemento que distingue obras sustentáveis de não sustentáveis. Temos certeza que fazendo essas obras estaremos contribuindo para melhoria nas condições de vida da população", afirmou Dilma.

'Dia histórico'. O petista Haddad classificou o anúncio como um "dia histórico" para a cidade. "Fizemos nesses seis meses inúmeras parcerias com o governo do Estado e estamos anunciando aqui talvez o maior pacote de investimentos do governo federal numa única cidade", afirmou o prefeito. "Não lembro de ver um pacote de medidas tão amplo e que dialoga com todos os bairros da cidade como este."

Haddad negou que a vinda dos investimentos para São Paulo tenha sido facilitada por uma questão partidária. Segundo ele, desde o início da gestão, tem procurado acordos também com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e com a iniciativa privada. "Nossa obsessão vai ser construir esse alinhamento estratégico (com o governo estadual e federal). Somos grandes demais para nos isolarmos. O grande equívoco do passado foi achar que nossa grandeza dava condições de isolamento." Haddad lembrou que São Paulo concentra 5% da população do Brasil e gera 12% de toda a riqueza nacional.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.