Roberta Zawit/AE
Roberta Zawit/AE

Difícil é se encontrar na Rodoviária do Tietê

Falta de sinalização no maior terminal do País dificulta a vida dos quase 90 mil usuários por dia

Naiana Oscar, Jornal da Tarde

21 de dezembro de 2009 | 23h19

O único banheiro gratuito está escondido. Na saída do desembarque, as placas levam às escadas convencionais, mas ignoram os elevadores. O carrinho para as bagagens está proibido de mudar de andar. E quem não conhece o lugar tem de se virar perguntando, porque o maior terminal rodoviário do País, por onde passam 90 mil pessoas por dia, embora seja "modelo", deixa a desejar quando o assunto é informação.

 

Até o dia 29, cerca de 950 mil pessoas devem passar pela rodoviária. Para evitar desencontros, o Jornal da Tarde preparou um guia para quem tiver de "se achar" ou achar alguém no prédio de 120 mil m2 - quase dois estádios do Pacaembu. A planta do Tietê não está a disposição dos usuários no terminal, mas você poderá vê-la nesta reportagem.

 

Primeiro, uma informação de utilidade pública. A localização do único sanitário gratuito: fica ao lado de uma LAN house, no primeiro piso. As comerciantes da loja vizinha é que indicam o caminho aos perdidos. "Eu mais digo onde é o banheiro do que vendo cosmético", disse uma lojista, que não quis se identificar. A placa que fica em frente a esse sanitário aponta para o lado oposto e leva os passageiros a um dos banheiros com catraca, onde é preciso pagar R$ 1,25. As condições de higiene e o cheiro, pouco agradável, são os mesmos. A explicação da Socicam, que administra a rodoviária, é que uma nova placa poluiria visualmente o ambiente.

 

Chegar ao desembarque pelo elevador é outra peregrinação. Ele fica na área administrativa e um painel restringe a entrada de quem não seja funcionário. A falta de sinalização torna mais difícil a chegada dos passageiros. Ao descerem dos ônibus, eles se deparam com uma escada rolante e duas convencionais. Não há placas que apontem o elevador, 50 metros adiante, depois do ponto de táxi. Semana passada, quando foi buscar a mulher, o caminhoneiro Vanderlei Aparecido da Silva, 43 anos, não se animou a subir as escadas. Sabendo que teria de andar por meia hora até o carro, foi atrás de um elevador. Ele achou o local, mas não conseguiu entrar porque um funcionário disse que seu uso era exclusivo para pessoas com deficiência. "Parece que aqui a gente só tem deveres. Se quer conforto, tem de pagar."

 

E tem mesmo. Os 120 carrinhos de bagagem que ficam na saída do desembarque não podem ser levados para o andar de cima, por onde os passageiros precisam passar para chegar ao metrô ou a um dos estacionamentos. Isso é um privilégio dos carregadores, que cobram de R$ 3 a R$ 5 para fazer o "frete". Eles são autônomos e não se submetem à administradora do terminal. Entre os 144, alguns estão ali desde que a rodoviária foi inaugurada, em 1982.

 

A promotora de Justiça, Jane Callegares, de 58 anos, não dispensa o serviço. Ela passa pelo Tietê pelo menos duas vezes por semana, para ir a Campinas, e prefere pagar. "Acho eles maravilhosos e nunca tive problema." Nem todo mundo está disposto a remunerar um carregador. Recém chegadas da Bahia, as aposentadas Maria Pereira, 83 anos, e a filha Mazinha Santana, de 58, tiveram de atrasar a chegada na casa dos parentes. Os sobrinhos levaram as 12 malas no braço até o carro. "A gente está guardando as malas até eles carregarem tudo."

 

A Socicam alega que, se os carrinhos pudessem circular pelo primeiro andar, atrapalhariam o acesso à estação do metrô - que já é complicada. A fila nas sete bilheterias costuma assustar. Para reduzir a espera, o Metrô orienta os passageiros a comprar seus tíquetes antes da viagem, de preferência em outra estação.

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