Diferença entre estudantes da rede pública é de até 4 anos

Com as maiores médias, federais têm 154 pontos a mais que municipais; escolas privadas apresentam média de elite

Bárbara Ferreira Santos, Paulo Saldaña e Guilherme Soares Dias, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2013 | 02h05

Os dados do Pisa indicam um abismo entre rede pública e particular, mas também uma grande diferença no desempenho entre as escolas estaduais, municipais e federais. Com as maiores médias do País, a rede federal tem 154 pontos a mais do que a rede municipal na média geral das áreas - distância equivalente a 3,8 anos escolares, uma vez que 40 pontos no Pisa equivalem a um ano de escola.

As médias da rede municipal são as menores nas três áreas avaliadas pela prova. Na sequência aparecem as escolas estaduais, as particulares e, no topo do ranking, as federais.

As médias das federais e particulares (mais informações nesta página) são parecidas com a média das escolas dos EUA, por exemplo. Já a estadual tem desempenho similar ao da Colômbia, que aparece abaixo do Brasil na lista geral.

A maior diferença na rede pública ocorre em Leitura: as escolas federais têm 158 pontos a mais do que o registrado pelas municipais. Em Matemática e Ciências, a distância entre as duas redes é de 151 e 152 pontos, respectivamente.

Segundo Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o abismo mostra que existem escolas públicas boas no Brasil, apesar de nas federais haver seleção de alunos, mas ficam claras as deficiências das escolas ligadas a Estados e municípios. "As federais selecionam alunos e têm um custo aluno muito maior", diz ele. "E esse gasto maior se dá naquilo que é carente nas outras públicas: política de carreira, número de aluno por turma e infraestrutura."

A rede particular aparece 132 pontos acima da rede municipal e 79 da estadual. Em Leitura, entretanto, área que o Brasil teve recuo em relação à avaliação de 2009, a rede particular registrou a maior queda: passou de 516 para 478 pontos, redução de 8%.

Os dados foram encaminhados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que organiza a aplicação do Pisa no Brasil.

Equidade. O relatório da OCDE mostra outro problema. Só 1,9% dos alunos desfavorecidos socioeconomicamente conseguiu bons resultados. Esse porcentual é de 12,5% em Hong Kong, China, Coreia, Macau-China, Cingapura e Vietnã, onde mais da metade dos estudantes é desfavorecida.

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