Diálogo evita aliciamento de crianças por pedófilos, diz médico

Observar comportamento, segundo psiquiatra, também ajuda a descobrir se criança vem sofrendo abusos

Italo Reis, estadao.com.br

06 de junho de 2008 | 21h41

Casos de abuso sexual de crianças chocam a população. E a internet tem aumentado a freqüência com que isso vem acontecendo. Segundo o coordenador do Núcleo de Psiquiatria Forense do Hospital das Clínicas, o médico psiquiatra Daniel Martins de Barros, algo muito simples pode evitar que seu filho ou qualquer outra criança se torne vítima de pedófilos: o diálogo. Para ele, prestar atenção no comportamento e a conversa sobre sexualidade pode evitar que a criança seja aliciada. Veja também: PF prende procurador-geral de Roraima por pedofilia "O diálogo é o mais básico de tudo. A criança deve sentir essa liberdade de poder conversar com os pais e tem um canal aberto para poder falar", afirmou Barros ao estadao.com.br. Segundo o médico, a maneira como é abordada a sexualidade deve ser diferente de acordo com a idade da criança.  Barros, porém, explica que não adianta esperar algo acontecer para que essas conversas existam. Ele afirma que não há segredo algum. "É uma maneira muito parecida com o que nossos pais faziam. Orientar a criança a não conversar com estranhos, não enviar fotos pela internet, não manter esse contato".  A observação também é importante para saber se alguma criança vem sendo abusada. "É preciso orientar os pais para ficarem atentos ao comportamento da criança. Quase sempre ela muda de comportamento quando tem algo errado. A criança fica nervosa, chora demais, fica agressiva, volta chupar o dedo ou a fazer xixi na cama. Mudanças estranhas e súbitas de comportamento devem ser avaliadas", explicou Barros. Os pais devem perguntar para a criança se tem algo de errado acontecendo. Por isso Barros alerta para a necessidade do diálogo. Segundo o médico, se a criança não vê problemas em falar sobre o assunto com os pais, ela avisará se estiver sendo abusada. "Se a criança desconversar e não quiser falar é um indício de que há algo de errado. Se ela negar e a desconfiança (de abuso) continuar o melhor é procurar um psicólogo, porque ele tem um meio de conseguir estabelecer um vínculo com a criança e descobrir". Caso seja descoberto o abuso contra a criança, o psiquiatra diz que o Conselho Tutelar deve ser avisado imediatamente. "É uma determinação da lei. Mesmo que não seja da família. Pode ser a professora, a avó, o vizinho. Qualquer pessoa tem o dever legal de fazer essa denúncia". Em casos confirmados de abuso, a criança tem que receber um suporte da família e até mesmo médico, segundo Barros. "Tem que se buscar um amparo psicológico, pois é muito traumático para criança".

Tudo o que sabemos sobre:
pedofiliaabuso sexual de crianças

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.